CAD-RADS 2.0: categorias, modificadores e isquemia
Dr. David F. Cuevas Cueto · Atualizado em 27 de setembro de 2026 · Fontes: SCCT 2026 e CAD-RADS 2.0
O CAD-RADS 2.0 resume a angiotomografia de coronárias em uma única categoria por paciente, seguida da carga de placa e dos modificadores. Esta seção explica como cada categoria é atribuída, em que ordem o código é escrito e como é incorporado o resultado da CT-FFR ou da perfusão miocárdica por TC. O manejo resumido aqui é o da dor torácica estável.
O essencial
A categoria CAD-RADS é única por paciente e é definida pela estenose clinicamente mais relevante, quase sempre a de maior grau.
O CAD-RADS 0 exige que não haja placa nem estenose; por isso, uma placa sem estenose já basta para CAD-RADS 1.
Uma estenose do TCE de 50% ou mais é 4B mesmo que nenhum vaso chegue a 70%, assim como a doença de três vasos com 70% ou mais.
Se houver um segmento não avaliável e algum segmento avaliável chegar a 50%, a estenose é graduada e acrescenta-se /N. Se nenhum chegar, a categoria é N.
O código é escrito na ordem categoria, P, N, HRP, I, S, G e E, separados por barras, e a P não é atribuída no CAD-RADS 0.
Com a CT-FFR medida de 1 a 2 cm distalmente à lesão, 0,75 ou menos é I+, de 0,76 a 0,80 é I± e mais de 0,80 é I−.
Três segmentos com placa resultam em P2. A estenose moderada da DA média define a categoria 3, e a leve da CD proximal e a mínima da Cx proximal ficam nos achados.
Digite ou cole um código como aparece em um laudo para ver o que significa cada parte, com link para o termo correspondente.
Exemplos:
O leitor explica a nomenclatura do CAD-RADS 2.0; não interpreta um exame específico nem indica manejo.
Tabela 1. Categorias do CAD-RADS 2.0 e manejo sugerido no paciente com dor torácica estável. São sugestões de consenso, a serem interpretadas junto com a impressão e o contexto clínico.
Categoria
Estenose máxima
Interpretação
Manejo sugerido (dor torácica estável)
CAD-RADS 0
0% (sem placa nem estenose)
Sem doença arterial coronariana
Sem exames adicionais. Considerar causas não ateroscleróticas.
CAD-RADS 1
1–24%, ou placa sem estenose
Doença não obstrutiva mínima
Sem exames adicionais. Prevenção conforme a P, intensiva com P3–P4.
CAD-RADS 2
25–49%
Doença não obstrutiva leve
Sem exames adicionais. Prevenção conforme a P, intensiva com P3–P4.
Considerar coronariografia invasiva, avaliação funcional ou de viabilidade. Prevenção intensiva.
CAD-RADS N
Estudo não diagnóstico
Não se pode excluir doença obstrutiva
Pode ser necessária avaliação adicional ou alternativa.
Fonte: CAD-RADS 2.0, Tabela 4 (texto completo no PMC, sem paginação); faixas de estenose também em SCCT 2026, p. 7. Na linha do CAD-RADS 5, a Tabela 4 escreve “total coronary occlusion or sub-total occlusion”; o glossário mantém “oclusão total” porque a categoria exige 100%.
Categoria CAD-RADS por paciente Per-patient CAD-RADS categoryCAD-RADS#
Outros nomes:classificação CAD-RADS, escala CAD-RADS, escore CAD-RADS(o CAD-RADS 2.0 usa “CAD-RADS score” para a categoria de estenose, seção 3.3), Coronary Artery Disease – Reporting and Data System
O CAD-RADS 2.0 atribui uma única categoria a cada paciente. Ela é definida pela estenose clinicamente mais relevante, que em geral é a de maior grau, e só são graduados os vasos com 1,5 mm ou mais.
Como escrever no laudo
Aterosclerose coronariana com carga de placa moderada (P2; SIS 3). Estenose máxima na DA média: placa parcialmente calcificada determinando estenose moderada (50–69%). CAD-RADS 3/P2.
Condição do exemplo: O TCE não tem estenose de 50% ou mais; se tiver, a categoria é 4B, ainda que a estenose máxima seja moderada.
Não confundir: Categoria versus carga de placa: a categoria segue a estenose clinicamente mais relevante, e a P resume toda a placa; uma P3 não eleva uma estenose leve a CAD-RADS 3.
Fonte: CAD-RADS 2.0, Tabela 4, nota de rodapé · “The CAD-RADS classification should be applied on a per-patient basis for the clinically most relevant (usually highest-grade) stenosis.”
Detalhes
Na prática. Primeiro, cada segmento é graduado e sua estenose é registrada nos achados. A estenose mais grave define a categoria, a menos que uma estenose do TCE ou a doença de três vasos a eleve para 4B. As lesões menores ficam descritas no texto.
Erro a evitar. Atribuir uma categoria a cada vaso, como “DA CAD-RADS 3 e CD CAD-RADS 2”. O paciente recebe uma só, e cada lesão é descrita nos achados.
Em outras fontes. O SCOT-HEART classificou cada paciente em três grupos: coronárias normais, doença não obstrutiva e doença obstrutiva, com estenose maior que 70%, ou maior que 50% no TCE. O CAD-RADS 2.0 atribui uma de oito categorias. (Williams 2019, SCOT-HEART, Métodos)
No CCTA Map
O mapa considera o maior grau entre os segmentos marcados e mostra uma única categoria com o seu motivo, por exemplo “Estenose moderada (50–69%)”. O modelo de laudo descreve cada vaso em um parágrafo próprio. Com um enxerto pérvio (estenose do enxerto menor que 50%), só os segmentos nativos proximais à anastomose são excluídos da categoria, identificados como “(contornada pelo enxerto LIMA-LAD)”; o segmento da anastomose é lido lesão por lesão e o leito distal é graduado. Assim, uma estenose grave da DA distal à anastomose de um LIMA-LAD pérvio, sem outras lesões, dá CAD-RADS 4A/P1/G. Uma lesão marcada com um único toque no segmento da anastomose não tem posição e é lida como contornada pelo enxerto.
Saída literal do modelo do mapa
Carga de placa: moderada (P2; SIS 3).
Descendente anterior (LAD): segmento médio: placa parcialmente calcificada, estenose moderada (50-69%); restante do vaso sem lesões. Ramos D1, D2: sem lesões.
Circunflexa (LCX): segmento proximal: placa calcificada, estenose mínima (1-24%); restante do vaso sem lesões. Ramos OM1, OM2, L-PLB: sem lesões.
Coronária direita (RCA): segmento proximal: placa calcificada, estenose leve (25-49%); restante do vaso sem lesões. Ramos AM, R-PDA, R-PLB: sem lesões.
CAD-RADS 0 versus CAD-RADS 1 CAD-RADS 0 versus CAD-RADS 1#
Outros nomes:ausência de DAC(interpretação do CAD-RADS 0 no CAD-RADS 2.0), DAC mínima, não obstrutiva(interpretação do CAD-RADS 1 no CAD-RADS 2.0)
Um exame é CAD-RADS 0 somente se não houver placa nem estenose. Qualquer placa o eleva a pelo menos CAD-RADS 1, mesmo que não reduza a luz, como a placa com remodelamento positivo sem estenose.
Como escrever no laudo
Aterosclerose coronariana com carga de placa leve (P1; SIS 1): placa não calcificada com remodelamento positivo na DA proximal, sem redução luminal visível. CAD-RADS 1/P1.
Condição do exemplo: O remodelamento positivo é a única característica de alto risco da placa; se houver outra, como baixa atenuação (<30 UH), acrescenta-se HRP: CAD-RADS 1/P1/HRP.
Não confundir: “Sem redução luminal visível” versus “sem estenose significativa”: a primeira corresponde a 0% na escala do CAD-RADS 2.0; a segunda não é um grau dessa escala e não esclarece se há estenose mínima ou leve.
Fonte: CAD-RADS 2.0, Tabela 4, nota b · “CAD-RADS 1 - This category should also include the presence of plaque with positive remodeling and no evidence of stenosis.”
Detalhes
Na prática. Antes de chamar um exame de normal, revisa-se cada segmento em cortes transversais e em reconstrução multiplanar, em busca de pequenas placas não calcificadas. A SCCT 2026 reserva a impressão de exame normal para a ausência de placa e de estenose. Um estreitamento não aterosclerótico, como o de uma artéria anômala com trajeto interarterial, também não é CAD-RADS 0: é graduado como qualquer estenose e acrescenta-se E; se não houver placa, a P é omitida, como em CAD-RADS 3/E.
Erro a evitar. Chamar de CAD-RADS 0 um exame com escore de Agatston 0 e placa não calcificada. Essa placa basta para CAD-RADS 1, com a sua carga de placa.
No CCTA Map
Uma placa marcada com 0% eleva a categoria para 1. Na categoria 0, o mapa não mostra P, HRP nem I. O modelo descreve a placa a 0% com o seu tipo, como “placa não calcificada sem estenose significativa”. Um estreitamento sem placa, como o de uma artéria anômala com trajeto interarterial, é marcado com o tipo “Não aterosclerótica”: é graduado, acrescenta E e não leva P, de modo que uma estenose moderada sem placa dá CAD-RADS 3/E.
Saída literal do modelo do mapa
Descendente anterior (LAD): segmento proximal: placa não calcificada sem estenose significativa com remodelamento positivo como achado isolado; restante do vaso sem lesões. Ramos D1, D2: sem lesões.
Impressão Doença arterial coronariana mínima, não obstrutiva. Categoria CAD-RADS 1/P1.
Doença não obstrutiva em LAD.
CAD-RADS 2 e CAD-RADS 3 CAD-RADS 2 and CAD-RADS 3#
Outros nomes:DAC leve, não obstrutiva(frase de impressão do mapa para o CAD-RADS 2), DAC discreta, não obstrutiva(forma da literatura brasileira para o CAD-RADS 2), DAC obstrutiva moderada(frase de impressão do mapa para o CAD-RADS 3)
No CAD-RADS 2, a estenose máxima é leve (25–49%) e a doença é não obstrutiva. No CAD-RADS 3, é moderada (50–69%), e já se sugere considerar um teste funcional.
Como escrever no laudo
Aterosclerose coronariana com carga de placa leve (P1; SIS 2). Estenose máxima na Cx proximal: placa não calcificada determinando estenose moderada (50–69%), estimada visualmente em cerca de 55%. CAD-RADS 3/P1.
Fonte: CAD-RADS 2.0, seção 3.1.1 · “In the presence of CAD-RADS 3, which reflects moderate stenosis (50–69%), there is an option to consider the use of CT-FFR, CTP, or stress testing”
Detalhes
Na prática. A estenose é estimada em pelo menos dois planos perpendiculares, e o diâmetro luminal mínimo é comparado com um segmento normal de referência. Quando o grau fica próximo de 50%, convém revisar a lesão em cortes transversais antes de escolher entre 2 e 3.
Erro a evitar. Interpretar o CAD-RADS 3 como indicação direta de coronariografia invasiva. No paciente estável, o CAD-RADS 2.0 sugere considerar um teste funcional.
Em outras fontes. Na angiografia invasiva, a diretriz de revascularização ACC/AHA/SCAI 2021 chama de intermediária a estenose de 40% a 69%, que em geral merece avaliação da sua repercussão fisiológica. No CAD-RADS 2.0, a estenose de 40% a 49% é CAD-RADS 2. (ACC/AHA/SCAI 2021, revascularização, seção 4.1)
No CCTA Map
Com os botões 2 e 3 de “Gravidade”, o modelo de laudo escreve o termo e a faixa, como “estenose moderada (50-69%)”; o valor que cada botão guarda apenas representa a faixa, não é uma medida e não é impresso. Com o controle deslizante “Grau de estenose”, escreve também o número como estimativa, como “estenose moderada (50-69%; aproximadamente 55%)”.
Saída literal do modelo do mapa
Circunflexa (LCX): segmento proximal: placa não calcificada, estenose moderada (50-69%; aproximadamente 55%); restante do vaso sem lesões. Ramos OM1, OM2, L-PLB: sem lesões.
Coronária direita (RCA): segmento médio: placa parcialmente calcificada, estenose leve (25-49%); restante do vaso sem lesões. Ramos AM, R-PDA, R-PLB: sem lesões.
CAD-RADS 4A versus 4B CAD-RADS 4A versus 4B4A · 4B#
Outros nomes:CAD-RADS 4(grupo que o CAD-RADS 2.0 subdivide em 4A e 4B), DAC obstrutiva grave(frase de impressão do mapa para o CAD-RADS 4A), lesão de tronco ou doença triarterial(“doença triarterial” é o termo brasileiro para a doença de três vasos, 4B)
O CAD-RADS 4A corresponde a uma estenose grave (70–99%) em um ou dois vasos. É 4B a estenose do TCE de 50% ou mais, ou a doença de três vasos com 70% ou mais.
Não confundir: Três vasos com estenose moderada (50–69%) são CAD-RADS 3, e não 4B: no CAD-RADS 2.0, a doença de três vasos exige 70% ou mais em cada um, e apenas o TCE conta a partir de 50%.
Fonte: CAD-RADS 2.0, Tabela 4, linha CAD-RADS 4 · “B - Left main ≥50% or 3-vessel obstructive (≥70%) disease”
Detalhes
Na prática. Diante de uma estenose grave, revisam-se o TCE e os três territórios antes de definir a categoria. No paciente estável, com 4A considera-se coronariografia invasiva ou avaliação funcional, e com 4B a coronariografia invasiva é recomendada.
Erro a evitar. Classificar como CAD-RADS 3 uma estenose moderada do TCE porque nenhum vaso chega a 70%. Uma estenose do TCE de 50% ou mais já é 4B.
Em outras fontes. No escore SYNTAX, qualquer lesão de 50% ou mais em vasos de 1,5 mm ou mais é significativa. Para a categoria 4B por doença de três vasos, o CAD-RADS 2.0 exige 70% ou mais em cada um. (Sianos 2005, SYNTAX, p. 220)
No CCTA Map
O motivo aparece como “Estenose do tronco coronariano esquerdo ≥50%” ou “Doença de três vasos (≥70%)”. Para três vasos, o mapa conta a DA, a Cx e a CD com seus ramos posteriores, sem diagonais, marginais nem RI. Os dois critérios de 4B contam só a estenose aterosclerótica: um estreitamento “Não aterosclerótica” do TCE de 50–99% dá 3 ou 4A com E, não 4B.
Outros nomes:oclusão total de pelo menos um vaso coronário(frase de impressão do mapa para o CAD-RADS 5), oclusão coronariana total, total occlusion
O CAD-RADS 5 indica pelo menos uma oclusão total (100%). A oclusão pode ser aguda ou crônica, e a categoria não distingue entre as duas, porque a cronicidade é inferida de outros dados.
Como escrever no laudo
Aterosclerose coronariana com carga de placa leve (P1; SIS 2). Oclusão total da CD média por placa não calcificada, com reconstituição distal por colaterais a partir da DA, achado que sugere oclusão crônica. CAD-RADS 5/P1.
Não confundir: Opacificação distal versus vaso pérvio: como a angio-TC usa contraste intravenoso e adquire as imagens após um tempo de retardo, o leito distal a uma oclusão crônica pode se opacificar; a SCCT 2026 define a oclusão total pela ausência completa de opacificação do segmento.
Fonte: CAD-RADS 2.0, seção 3.1.1 · “It may be acute or chronic, and, in the context of chronic occlusion, factors such as lesion length, calcification particularly at the proximal aspect, tortuosity and degree of collateralization”
Detalhes
Na prática. Se a oclusão parecer crônica, o CAD-RADS 2.0 considera úteis para o manejo a extensão do segmento ocluído, o cálcio na sua extremidade proximal, a tortuosidade e o grau de circulação colateral. No paciente estável, considera-se coronariografia invasiva, avaliação funcional ou de viabilidade.
Erro a evitar. Chamar de crônica toda oclusão total. Ela só é descrita como crônica quando há dados que a sustentem, como a circulação colateral.
Em outras fontes. Na cardiologia intervencionista, a oclusão total crônica (OTC) é definida como estenose de 100% com fluxo TIMI 0 por mais de três meses. O CAD-RADS 5 não equivale a OTC: inclui qualquer oclusão total, aguda ou crônica. (EuroCTO 2019, Galassi, p. 199)
No CCTA Map
O botão 5 ou o controle deslizante em 100% dão a categoria 5, com o motivo “Oclusão total”. As colaterais são marcadas em “Circulação colateral”, no menu “Anatomia ▾”, e só são redigidas se reconstituírem o território ocluído.
Saída literal do modelo do mapa
Descendente anterior (LAD): segmento proximal: placa calcificada, estenose leve (25-49%); restante do vaso sem lesões. Ramos D1, D2: sem lesões.
Coronária direita (RCA): segmento médio: placa não calcificada, oclusão total; restante do vaso sem lesões. Ramos AM, R-PDA, R-PLB: sem lesões.
Reconstituição distal do território da RCA (ocluída) por circulação colateral (a partir da LAD · anastomose PDA apical–LAD distal), compatível com oclusão total crônica.
Impressão Oclusão total de pelo menos um vaso coronário. Categoria CAD-RADS 5/P1.
Doença obstrutiva (≥50%) em RCA.
A oclusão total mostra recrutamento de circulação colateral para o território distal, achado que sustenta a cronicidade (oclusão total crônica, OTC) e é relevante para o planejamento da estratégia de revascularização e da via de acesso (p. ex., intervenção coronária percutânea de OTC). A viabilidade miocárdica deve ser confirmada com exame de imagem dedicado, pois as colaterais, isoladamente, não a predizem de forma confiável.
N como categoria e como modificador Nondiagnostic (N) category and modifierN#
Outros nomes:CAD-RADS N, modificador N, estudo não diagnóstico(nome do N no CAD-RADS 2.0, §3.3.1), nondiagnostic
O N assinala segmentos de 1,5 mm ou mais que não podem ser interpretados com confiança. Se um segmento avaliável chegar a 50%, a estenose é graduada e acrescenta-se /N. Se nenhum chegar, CAD-RADS N substitui o número.
Como escrever no laudo
Aterosclerose coronariana com carga de placa leve (P1). DA proximal: placa calcificada determinando estenose leve (25–49%). A CD média não é avaliável por artefato de movimento; por isso, não se pode excluir doença obstrutiva nesse segmento. CAD-RADS N/P1.
Condição do exemplo: A carga global de placa pode ser avaliada com confiabilidade; caso contrário, escreve-se CAD-RADS N sem P.
Não confundir: Segmento não avaliável versus segmento sem placa: o N indica que o segmento não pode ser interpretado com confiança, e não que falte placa; uma placa visível é descrita mesmo que a sua estenose não possa ser graduada.
Fonte: CAD-RADS 2.0, seção 3.3.1 (Modifier N) e Figura 12 · “for a patient with at least one non-interpretable segment and no stenosis (zero), minimal (1–24%), or no more than mild stenosis (25–49%) in interpretable segments, CAD-RADS N should be used”
Detalhes
Na prática. Antes de declarar um segmento não avaliável, revisam-se as fases reconstruídas. Se o artefato persistir, o segmento é citado no laudo com a sua causa, como movimento, blooming ou artefato metálico. Uma placa calcificada densa não obriga a marcar N: a SCCT 2026 admite descrever o grau visível com a ressalva de que o blooming pode superestimá-lo, embora alguns leitores considerem não interpretável um segmento com calcificação extensa. A P só é acrescentada se a carga global de placa puder ser avaliada com confiabilidade; caso contrário, o código fica sem P.
Erro a evitar. Codificar como CAD-RADS N um exame com uma estenose moderada avaliável e um segmento não diagnóstico. A estenose é graduada e acrescenta-se o modificador, como em 3/P2/N.
Em outras fontes. No CAC-DRS da SCCT, o N não indica exame não diagnóstico: acompanhado de um número, como em A2/N3, indica quantas artérias têm cálcio. No CAD-RADS 2.0, o N marca segmentos que não podem ser interpretados com confiança. (CAC-DRS, SCCT 2018, Hecht; Obisesan 2021)
No CCTA Map
O botão “N” do editor marca o segmento, que aparece com contorno duplo, como uma artéria tremida. Conforme o que foi marcado, o mapa mostra a categoria, como “CAD-RADS N/P1”, ou o modificador, como “3/P1/N”. A opção “não diagnóstica” do campo “Qualidade”, no “Rascunho do laudo”, aplica a mesma regra a todo o exame, mesmo sem segmentos marcados: se nenhuma estenose chegar a 50%, a categoria é N; se alguma chegar, ela é graduada e acrescenta-se /N. O motivo indica isso com “Qualidade global do exame não diagnóstica”, sozinho na categoria N e depois do motivo da estenose quando se acrescenta /N. As demais opções de “Qualidade” não mudam a categoria. Ao marcar N, a placa do segmento fica reservada, sem ser apagada, e volta ao retirar o N; enquanto isso, o segmento sai da categoria e do SIS. Os trechos do mesmo traço em outros segmentos são mantidos e continuam sendo graduados: com uma placa desenhada da DA proximal à média a 85% e duas características de alto risco, o N na DA média dá CAD-RADS 4A/P1/N/HRP. Com “Descrever a placa visível”, o laudo menciona a placa do segmento N sem graduá-la.
Saída literal do modelo do mapa
Qualidade do exame: regular.
Descendente anterior (LAD): segmento proximal: placa calcificada, estenose leve (25-49%); restante do vaso sem lesões. Ramos D1, D2: sem lesões.
Coronária direita (RCA): segmento médio: não avaliável por qualidade de imagem não diagnóstica; restante do vaso sem lesões. Ramos AM, R-PDA, R-PLB: sem lesões.
Impressão Estudo não diagnóstico para doença arterial coronariana obstrutiva. Categoria CAD-RADS N/P1.
Doença não obstrutiva em LAD.
Segmentos não avaliáveis: coronária direita (RCA) média.
Nenhum grau numérico de estenose é atribuído: a angiotomografia coronariana não pode guiar o manejo neste contexto e a doença arterial coronariana obstrutiva não pode ser excluída. Considere avaliação adicional ou alternativa (repetir a angio-TC, imagem funcional/de estresse ou angiografia invasiva).
Ordem dos modificadores do CAD-RADS CAD-RADS coding order and modifiersP · N · HRP · I · S · G · E#
Outros nomes:modificadores do CAD-RADS, codificação CAD-RADS, CAD-RADS coding(termo do CAD-RADS 2.0)
O código do CAD-RADS 2.0 segue a ordem estenose, carga de placa e modificadores, separados por barras. Depois da P vêm N, HRP, I, S, G e E, nessa ordem, e apenas os presentes.
Como escrever no laudo
Aterosclerose coronariana com carga de placa acentuada (P3; SIS 5). Estenose máxima na DA proximal: placa não calcificada de alto risco, com baixa atenuação e remodelamento positivo, determinando estenose moderada (50–69%). Stent pérvio na CD proximal, sem reestenose visível. CAD-RADS 3/P3/HRP/S.
Não confundir: A P versus os modificadores: a P é a categoria de carga de placa e, quando atribuída, segue a categoria de estenose ou o N; os modificadores N, HRP, I, S, G e E vêm depois, nessa ordem.
Fonte: CAD-RADS 2.0, seção 3.3, estrutura de codificação; SCCT 2026, seção “Impression”, p. 21 · “First: modifier N (non-diagnostic) Second: modifier HRP (high-risk plaque) Third: modifier I (ischemia) Fourth: modifier S (stent) Fifth: modifier G (graft) Sixth: modifier E (exceptions)”
Detalhes
Na prática. Escreve-se primeiro a categoria de estenose e depois a P, que é omitida no CAD-RADS 0 ou quando não há placa. Em seguida, acrescentam-se os modificadores presentes, na sua ordem fixa. Quando o N é categoria, ocupa o lugar do número, como em N/P2/S.
Erro a evitar. Escrever /S antes de /HRP, como fazia o CAD-RADS 1.0 com o antigo modificador V. No CAD-RADS 2.0, HRP é o segundo modificador, como em 3/P3/HRP/S.
Em outras fontes. O CAD-RADS 1.0 tinha quatro modificadores, na ordem N, S, G e V, e não incluía a carga de placa. O CAD-RADS 2.0 acrescentou P, I e E e trocou o V pelo HRP, que agora vem antes do S. (CAD-RADS 1.0, Tabela 2, p. 271)
No CCTA Map
O mapa monta o código na ordem P, N, HRP, I, S, G e E, e omite P, HRP e I na categoria 0. A impressão do modelo de laudo repete o código completo.
Saída literal do modelo do mapa
Descendente anterior (LAD): segmento proximal: placa não calcificada, estenose moderada (50-69%) com características de placa de alto risco (baixa atenuação e remodelamento positivo); segmento médio: placa parcialmente calcificada, estenose leve (25-49%); restante do vaso sem lesões. Ramos D1, D2: sem lesões.
Circunflexa (LCX): segmento proximal: placa calcificada, estenose mínima (1-24%); restante do vaso sem lesões. Marginal obtusa (OM1): placa calcificada, estenose mínima (1-24%). Ramos OM2, L-PLB: sem lesões.
Coronária direita (RCA): segmento proximal: stent pérvio, sem reestenose significativa; segmento médio: placa parcialmente calcificada, estenose leve (25-49%); restante do vaso sem lesões. Ramos AM, R-PDA, R-PLB: sem lesões.
Figura 1. O código traz primeiro a categoria, depois a carga de placa e, por fim, os modificadores presentes, em ordem fixa. Quando o N é categoria, ocupa o lugar do número.
Modificador I com CT-FFR Ischemia modifier with CT-derived fractional flow reserveI+ · I± · I−#
Outros nomes:FFR-CT(forma do artigo brasileiro do CAD-RADS; em inglês, a SCCT 2023 recomenda CT-FFR), FFR-TC, reserva de fluxo fracionada derivada da TC, FFRct(a SCCT 2023 recomenda CT-FFR)desaconselhado, modificador de isquemia, gradiente translesional(queda da CT-FFR através da estenose; o CAD-RADS 2.0 o chama de “delta CT-FFR”)
A CT-FFR calcula a pressão ao longo de toda a árvore coronariana a partir da angiotomografia já adquirida. Extrai a anatomia com aprendizado de máquina e simula o fluxo em repouso e em hiperemia com dinâmica de fluidos computacional, sem outra aquisição nem fármaco. Cada valor é a razão entre a pressão calculada nesse ponto e a pressão aórtica em hiperemia. Um valor de 0,72 significa que a pressão nesse ponto é 72% da aórtica e é interpretado como um fluxo máximo pela artéria de 72% do que ela teria sem a estenose. A perfusão miocárdica por TC exige uma aquisição sob estresse e avalia a perfusão do miocárdio; a CT-FFR, por sua vez, estima a queda de pressão dentro da artéria. O modificador I é atribuído pelo valor específico da lesão, medido de 1 a 2 cm distalmente à estenose. Um valor de 0,75 ou menos em um vaso com calibre suficiente para ICP é I+; de 0,76 a 0,80, I±; e maior que 0,80, I−.
Como escrever no laudo
Aterosclerose coronariana com carga de placa leve (P1; SIS 2). Estenose máxima na DA proximal: placa parcialmente calcificada determinando estenose moderada (50–69%). CT-FFR específica da lesão de 0,72, medida de 1 a 2 cm distalmente à estenose. CAD-RADS 3/P1/I+.
Não confundir: Estenose anatômica versus repercussão funcional: a categoria gradua a luz e não muda com a CT-FFR; uma estenose moderada com CT-FFR de 0,85 continua sendo CAD-RADS 3, com I−.
Fonte: CAD-RADS 2.0, seção 3.3.5.1 e Tabela 6 (Interpretation of CT-FFR) · “If there is presence of abnormal CT-FFR as defined as a lesion-specific value ≤ 0.75 in a vessel large enough for PCI the designation of “I+” (I=Ischemia) should be included.”
Detalhes
Na prática. A CT-FFR pode ser usada em estenoses de 50% a 90%, sobretudo no CAD-RADS 3 e 4A, e considerada no CAD-RADS 2 se a lesão for proximal e de 40% ou mais. Com I±, a indicação de coronariografia invasiva depende da localização da lesão, dos sintomas e do gradiente translesional. Esse gradiente é a queda da CT-FFR entre 1–2 cm proximal e 1–2 cm distal à estenose e é significativo se superar 0,12. Segundo Nørgaard 2019, toda leitura de CT-FFR começa pela revisão da angiotomografia, para relacionar cada queda de pressão a uma lesão concreta. Toda lesão com CT-FFR anormal é informada, mesmo que na leitura inicial não parecesse causar uma queda de pressão significativa. Se a CT-FFR for anormal sem uma lesão anatômica concordante, o CAD-RADS 2.0 indica I− quando o leitor está seguro de que se trata de um falso-positivo da CT-FFR, e I± quando o resultado é indeterminado e a interpretação dos dois achados é duvidosa. Nos dois casos, a categoria de estenose não muda. Na doença multiarterial, a lesão com repercussão fisiológica pode não ser a de maior estenose, e isso é esclarecido no corpo do laudo e na impressão.
Erro a evitar. Atribuir o I pelo menor valor do vaso, que reflete a carga total de placa. Usa-se o valor medido 1–2 cm distalmente à lesão.
Em outras fontes. Na FFR invasiva, o estudo FAME usou 0,80 ou menos como limiar para implante de stent. Com a CT-FFR, o CAD-RADS 2.0 reserva I+ para 0,75 ou menos e considera limítrofe (I±) o intervalo de 0,76 a 0,80. Nørgaard 2019 já propunha esses pontos de corte e os apoiava, entre outros dados, em dois achados: a CT-FFR dá, em média, valores entre 0,03 e 0,05 mais baixos que a FFR invasiva, e sua incerteza em relação a ela é maior entre 0,76 e 0,80. Como a CT-FFR é um cálculo, e não uma medida de fluxo e pressão, esse documento recomenda descrever o resultado como probabilidade baixa, limítrofe ou alta de repercussão hemodinâmica, em vez de isquemia. (Tonino 2009, FAME, resumo; Nørgaard 2019, “FFRCT Threshold” e “Results”)
Estenose pela TC versus CT-FFR específica da lesão: como se codifica o I. Em cada linha, a estenose descrita é a máxima do paciente.
Estenose pela TC
CT-FFR de 1 a 2 cm distal
Codificação
Interpretação
Moderada (50–69%) na DA proximal
0,72
CAD-RADS 3 com I+
A CT-FFR anormal é concordante com a lesão. Em um paciente sintomático que provavelmente se beneficie da revascularização, pode-se considerar a coronariografia invasiva.
Moderada (50–69%) na DA proximal, com doença difusa não obstrutiva na DA média
0,85 (0,76 no segmento terminal)
CAD-RADS 3 com I−
A lesão não produz queda de pressão significativa. O valor terminal não se associa a uma estenose concreta e não define o I. É apropriado adiar a coronariografia invasiva e otimizar o tratamento clínico.
Mínima (1–24%) na DA proximal
0,75 ou menos
CAD-RADS 1 com I− ou com I±
A CT-FFR é anormal sem uma lesão anatômica concordante. É I− se o leitor estiver seguro de que se trata de um falso-positivo da CT-FFR, e I± se o resultado for indeterminado e a interpretação dos dois achados for duvidosa. A categoria continua sendo 1.
Fonte: CAD-RADS 2.0, seção 3.3.5.1 e Tabela 6. A segunda linha reproduz o caso da Figura 1a de Nørgaard 2019 (CT-FFR de 0,85 a 16 mm da estenose e de 0,76 no segmento terminal).
No CCTA Map
Em “Modificadores P · I ▾”, a seção “Isquemia funcional (I)” tem uma linha por território: “descendente anterior (LAD)”, “circunflexa (LCX)” e “coronária direita (RCA)”, que correspondem à DA, à Cx e à CD. Se em “Via” for escolhida “CT-FFR”, digita-se o valor, com ponto ou vírgula decimal (0.72 ou 0,72), e o mapa o classifica como I+, I± ou I−. Enquanto não houver resultado, o território aparece “sem teste”. O código leva I+ se algum território for I+; senão, I± se algum for limítrofe; e I− só quando todos os territórios com estenose de 50% ou mais tiverem teste negativo. Se algum desses territórios não tiver teste, o código não leva I. O modelo de laudo anota o valor com vírgula decimal, por exemplo “descendente anterior: CT-FFR 0,72”. Se um território der I+ e sua estenose máxima for menor que 50%, o mapa mantém I+ no código e mostra o aviso “Conforme o CAD-RADS, considere I- (falso positivo, se houver confiança) ou I± (se duvidoso/discrepante).”. Para mudar o resultado, usam-se os botões de “Direto:”.
Saída literal do modelo do mapa
Descendente anterior (LAD): segmento proximal: placa parcialmente calcificada, estenose moderada (50-69%); restante do vaso sem lesões. Ramos D1, D2: sem lesões.
Circunflexa (LCX): segmento distal: placa calcificada, estenose leve (25-49%); restante do vaso sem lesões. Ramos OM1, OM2, L-PLB: sem lesões.
Isquemia induzível documentada por CT-FFR no território da descendente anterior (I+). Detalhe: descendente anterior: CT-FFR 0,72.
Figura 2. O modificador I é atribuído pelo valor medido de 1 a 2 cm distalmente à estenose. O menor valor, na extremidade distal do vaso, reflete a carga total de placa e não deve decidir o encaminhamento para coronariografia invasiva.
Modificador I com perfusão miocárdica por TC Ischemia modifier with stress CT perfusionCTP#
Outros nomes:TC de perfusão miocárdica, perfusão miocárdica por TC sob estresse, stress CTP, CT-MPIdesaconselhado, MCTP(a SCCT 2023 recomenda “myocardial CTP”)desaconselhado
Na perfusão por TC, é I+ o defeito reversível ou maior no estresse do que no repouso. São I− a ausência de defeito e o defeito fixo por infarto. O resultado limítrofe é I±.
Como escrever no laudo
Aterosclerose coronariana com carga de placa leve (P1; SIS 1). CD distal: placa parcialmente calcificada determinando estenose grave (70–99%). Perfusão miocárdica por TC sob estresse e em repouso: defeito fixo no território da CD, compatível com infarto prévio, sem isquemia induzível. CAD-RADS 4A/P1/I−.
Não confundir: I− versus isquemia não avaliada: I− indica que foi feita CT-FFR ou perfusão por TC e que o resultado foi negativo para isquemia; se nenhuma das duas foi feita, o código não leva I.
Fonte: CAD-RADS 2.0, seção 3.3.5.2 e Tabela 7 (Interpretation of Stress Myocardial CT Perfusion) · “If no ischemia is detected or if there is presence of a prior fixed myocardial infarct, the Modifier “I−” will be added to CAD-RADS.”
Detalhes
Na prática. Comparam-se as imagens de estresse e de repouso. Segundo a SCCT 2026, a avaliação da perfusão melhora com vários planos (eixo curto, quatro e duas câmaras), reconstruções MPR de 5 a 8 mm de espessura em modo média (average), reconstruções MinIP e janela estreita, e a MIP deve ser evitada porque mascara os defeitos. Um defeito verdadeiro persiste em várias fases do ciclo cardíaco, enquanto um artefato, como o endurecimento do feixe, pode aparecer ou não e mudar de localização. Se o defeito for fixo, o infarto prévio é documentado na impressão.
Erro a evitar. Atribuir I+ por uma hipoatenuação miocárdica na angiotomografia de repouso. O modificador I exige um teste de isquemia, seja perfusão sob estresse ou CT-FFR.
No CCTA Map
Na via “CTP”, “Reversível” dá I+, e “Fixo” ou “Sem defeito” dão I−; um resultado limítrofe é marcado com I± na linha “Direto:”. Com defeito fixo, o mapa avisa que o infarto deve ser documentado, e a impressão do modelo de laudo o descreve como compatível com infarto prévio e sugere avaliar a viabilidade. Enquanto não houver resultado, o território aparece “sem teste” e não acrescenta I ao código.
Saída literal do modelo do mapa
Coronária direita (RCA): segmento distal: placa parcialmente calcificada, estenose grave (70-99%); restante do vaso sem lesões. Ramos AM, R-PDA, R-PLB: sem lesões.
Defeito de perfusão fixo no território da coronária direita à perfusão por TC, compatível com infarto prévio; sem isquemia induzível (I-). Considerar avaliação de viabilidade. Detalhe: coronária direita: defeito de perfusão fixo (CTP).
CAD-RADS na dor torácica estável CAD-RADS in stable chest pain#
Outros nomes:manejo sugerido pelo CAD-RADS, conduta sugerida pelo CAD-RADS, CAD-RADS suggested management
O CAD-RADS 2.0 associa a cada categoria um manejo sugerido para o paciente com dor torácica estável. São sugestões de consenso que complementam a impressão e não substituem o julgamento clínico.
Como escrever no laudo
Manejo sugerido pelo CAD-RADS 2.0 para CAD-RADS 1/P3 na dor torácica estável: considerar causas não ateroscleróticas dos sintomas; modificação intensiva de fatores de risco e tratamento farmacológico preventivo.
Não confundir: Dor torácica estável versus aguda: a categoria é atribuída da mesma forma, mas o manejo sugerido muda; com CAD-RADS 3, na dor estável considera-se uma avaliação funcional e, na aguda, também a internação com avaliação cardiológica.
Fonte: CAD-RADS 2.0, seção 1 e Tabela 4; SCCT 2026, Tabela 6, p. 21 · “the clinical management suggestions provided by CAD-RADS should not replace clinical judgment, particularly as there are many patient-specific factors that may influence clinical management.”
Detalhes
Na prática. Nas categorias 0 a 2, não se sugerem outros exames cardíacos, e em 1 e 2 a prevenção é ajustada à P. Com 3, considera-se um teste funcional; com 4A, coronariografia invasiva ou teste funcional; e com 4B, a coronariografia invasiva é recomendada.
Erro a evitar. Dar por resolvido um CAD-RADS 1 ou 2 sem olhar a P. Com P3 ou P4, o CAD-RADS 2.0 sugere modificação intensiva de fatores de risco e prevenção farmacológica.
Em outras fontes. Na dor torácica estável, a diretriz AHA/ACC 2021 considera a CT-FFR mais útil em estenoses de 40% a 90% de segmentos proximais ou médios. O CAD-RADS 2.0 sugere a avaliação funcional a partir do CAD-RADS 3 (50–69%). (AHA/ACC 2021, dor torácica, seção 5.1.3)
No CCTA Map
“Estável” vem marcado por padrão em “Contexto”, sob o título “Rascunho do laudo”. Com essa opção, o “Manejo sugerido (CAD-RADS 2.0, consenso)” da impressão corresponde ao da dor torácica estável conforme a categoria, com frases adicionais para P, I, HRP e N e uma nota final que deixa a decisão ao médico assistente. Nas categorias 1 e 2, a base diz que não é necessária investigação cardíaca adicional (na 2, “em geral”) e acrescenta “Considere causas não ateroscleróticas do sintoma”; a P só acrescenta uma frase com P3 ou P4. Com I+, ou com uma artéria anômala de trajeto interarterial ou intrasseptal ou com origem no “TP”, essa base é omitida (com a anomalia, também na categoria 0), e a P1 ou P2 sai em frase própria. De 3 a 5, qualquer P acrescenta uma única frase de prevenção agressiva, como “Carga de placa P1 com estenose ≥50%: modificação agressiva de fatores de risco e farmacoterapia preventiva.”, e sem P escreve-se a mesma frase sem o rótulo. Na categoria 3, se o código já levar I por uma CT-FFR ou uma CTP, o manejo não volta a propor o teste funcional e, com I+, propõe considerar a cinecoronariografia, sobretudo se sintomas frequentes persistirem após o tratamento clínico. Com um stent ou um enxerto, o teste funcional da categoria 3 oferece CTP ou teste de estresse e esclarece que a CT-FFR não é validada nesses pacientes, a menos que já haja um valor de CT-FFR registrado. Com “Agudo”, o manejo é o da dor torácica aguda. De 0 a 2, começa por “Não é necessária avaliação adicional de síndrome coronariana aguda (SCA)” e, na 2, acrescenta quando considerar a internação; com I+, na 1 essa base é omitida e na 2 fica só a frase da internação, e com uma dessas anomalias toda a base é omitida. Na 3, propõe considerar a internação hospitalar com avaliação cardiológica, e em 4A, 4B e 5 começa pela internação e não acrescenta a frase de placa de alto risco.
Descendente anterior (LAD): segmento proximal: placa calcificada, estenose mínima (1-24%); segmento médio: placa parcialmente calcificada, estenose mínima (1-24%); restante do vaso sem lesões. Ramos D1, D2: sem lesões.
Circunflexa (LCX): segmento proximal: placa calcificada, estenose mínima (1-24%); restante do vaso sem lesões. Ramos OM1, OM2, L-PLB: sem lesões.
Coronária direita (RCA): segmento proximal: placa calcificada, estenose mínima (1-24%); restante do vaso sem lesões. Ramos AM, R-PDA, R-PLB: sem lesões.
Impressão Doença arterial coronariana mínima, não obstrutiva. Categoria CAD-RADS 1/P3.
Doença não obstrutiva em LM, LAD, LCX e RCA.
Autoavaliação
Perguntas curtas para verificar o essencial. A resposta aparece ao escolher uma opção.
1Em um paciente com dor torácica estável, o TCE tem estenose de 55%, a DA média de 40% e a CD proximal de 30%. Não há outras lesões. Qual categoria CAD-RADS é atribuída?
Uma estenose do TCE de 50% ou mais basta para CAD-RADS 4B, mesmo que nenhuma lesão chegue a 70%. As lesões da DA e da CD são descritas nos achados. Ver o termo
2A DA média tem estenose moderada (50–69%) e a carga de placa é P2. Um artefato de movimento impede avaliar a CD média. Como o exame é codificado?
Há uma estenose de 50% ou mais em um segmento avaliável; por isso, ela é graduada e o N fica como modificador depois da P. CAD-RADS N só é usado se nenhum segmento avaliável chegar a 50%. Ver o termo
3Há um stent pérvio na CD proximal. Na DA proximal, uma placa com baixa atenuação e remodelamento positivo determina estenose moderada, e a carga de placa é P3. Qual é o código correto?
A P segue a categoria, e depois vêm os modificadores na ordem N, HRP, I, S, G e E. A legenda da Figura 17 do CAD-RADS 2.0 inverte S e HRP, mas prevalece a lista ordenada. Ver o termo
4A DA média tem estenose moderada. A CT-FFR medida de 1 a 2 cm distalmente à lesão é 0,78, e o menor valor, na extremidade distal da DA, é 0,70. Qual modificador é acrescentado?
Usa-se o valor específico da lesão, medido de 1 a 2 cm distalmente à estenose. Entre 0,76 e 0,80, o resultado é limítrofe. O menor valor do vaso reflete a carga total de placa. Ver o termo
5A CD distal tem estenose grave (70–99%). A perfusão por TC mostra um defeito inferior do mesmo tamanho no estresse e no repouso, com afilamento parietal. Como a isquemia é codificada?
Um defeito fixo por infarto prévio, sem isquemia induzível, é codificado como I−. O CAD-RADS 2.0 reserva o modificador I para a isquemia e pede que o infarto seja documentado na impressão. Ver o termo
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Este glossário traduz para o português e adapta definições, tabelas e figuras do consenso SCCT 2026: Rajiah PS, et al. Interpretation and reporting of coronary computed tomographic angiography (2026 update): an expert consensus document of the Society of Cardiovascular Computed Tomography (SCCT). J Cardiovasc Comput Tomogr. 2026. doi:10.1016/j.jcct.2026.08.014, publicado sob a licença CC BY 4.0. Alterações: reformulação em linguagem simples e reorganização das tabelas; os diagramas são esquemas dinâmicos do mapa e não reproduzem exatamente as figuras da diretriz. A SCCT não revisou nem endossou este glossário. CC BY 4.0