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Placa coronariana e placa de alto risco

A placa é descrita por sua composição, pelas características de alto risco que apresente e pela carga total no paciente. As definições seguem o consenso SCCT 2026 e o CAD-RADS 2.0.

O essencial

  • Na placa calcificada, a maior parte do volume supera a atenuação da luz contrastada; a não calcificada fica abaixo dela e a parcialmente calcificada tem os dois componentes. A referência é a luz de cada exame, e não um valor fixo em unidades Hounsfield (UH).
  • O modificador /HRP exige que uma mesma placa mostre claramente pelo menos duas das quatro características de alto risco: baixa atenuação, remodelamento positivo, calcificação puntiforme e sinal do anel de guardanapo.
  • A baixa atenuação é definida por menos de 30 UH, o remodelamento positivo por um índice maior que 1,1 e a calcificação puntiforme por um diâmetro menor que 3 mm; o sinal do anel de guardanapo não tem valor numérico e é reconhecido pela forma no corte transversal.
  • O SIS conta segmentos com placa, e não placas: um SIS de 1 a 2 corresponde a P1; de 3 a 4, a P2; de 5 a 7, a P3; e de 8 ou mais, a P4.
  • O escore de Agatston é calculado na fase sem contraste; um escore igual a 0 não exclui placa não calcificada e, se ela existir, a carga é atribuída com base no SIS.
  • A carga P1–P4 é independente da estenose; se os métodos divergirem, usa-se a avaliação mais grave, e no CAD-RADS 0 não se atribui P.

Exemplo no mapa

Placa calcificada

Estenose moderada por placa calcificada na DA proximal (CAD-RADS 3/P1); o modelo de laudo acrescenta a ressalva de blooming nos achados e na impressão.

Nesta seção (12)
  1. Placa aterosclerótica
  2. Placa calcificada
  3. Placa parcialmente calcificada
  4. Placa não calcificada
  5. Placa de alto risco
  6. Baixa atenuação
  7. Remodelamento positivo
  8. Calcificação puntiforme
  9. Sinal do anel de guardanapo
  10. Carga de placa (P1–P4)
  11. Escore de envolvimento segmentar
  12. Escore de Agatston
Placa calcificada em corte transversal de angio-TC (esquema)Placa parcialmente calcificada em corte transversal (esquema)Placa não calcificada em corte transversal (esquema)
  • Luz com contraste
  • Placa não calcificada
  • Núcleo de baixa atenuação
  • Cálcio
  • Anel periférico
  • Gordura pericoronariana
Figura 1. Tipos de placa em corte transversal, em escala de cinza de TC. A placa calcificada supera a atenuação da luz contrastada, a não calcificada fica abaixo dela e a parcialmente calcificada combina os dois componentes.
Placa de baixa atenuação: núcleo com menos de 30 UH (esquema)Remodelamento positivo: índice de remodelamento maior que 1,1 (esquema)Calcificação puntiforme com menos de 3 mm (esquema)Sinal do anel de guardanapo (napkin-ring sign) em corte transversal (esquema)
Figura 2. As quatro características de alto risco. O modificador /HRP exige pelo menos duas na mesma placa. O remodelamento positivo é mostrado em corte longitudinal: o índice de remodelamento (IR) é o diâmetro externo na lesão dividido pela média das referências proximal e distal, e é positivo quando supera 1,1.
Tabela 1. Classificação da carga de placa coronariana. O escore de Agatston só é usado se a fase sem contraste tiver sido adquirida. Se os métodos divergirem, o CAD-RADS 2.0 indica usar a avaliação mais grave.
Carga de placaCAD-RADSAvaliação visualSIS (segmentos com placa)Escore de Agatston
NenhumaSem P (CAD-RADS 0)Sem placa00
LeveP11–2 vasos com quantidade leve de placa1–21–100
ModeradaP21–2 vasos com quantidade moderada, ou três vasos com quantidade leve3–4101–300
AcentuadaP3Três vasos com quantidade moderada, ou um vaso com quantidade acentuada5–7301–999
ExtensaP42–3 vasos com quantidade acentuada≥8≥1000

Fonte: Adaptada de SCCT 2026 (Rajiah et al.), Tabela 3, p. 9, CC BY 4.0; na diretriz, é baseada no CAD-RADS 2.0, Tabela 2. O CAD-RADS 2.0 escreve “>1000” para P4 por cálcio; a SCCT 2026, “≥1000”.

Placa aterosclerótica Atherosclerotic plaque#

Outros nomes: placa de ateroma, placa ateromatosa, placa coronariana, ateroma coronariano (termo habitual da imagem intravascular; na angio-TC usa-se “placa”; SCCT 2024 de quantificação, seção 3), atherosclerotic plaque

Na angio-TC, a placa aterosclerótica é tecido da parede do vaso, entre a luz contrastada e o contorno externo, que se distingue da luz e da gordura pericoronariana. Para a leitura visual e os escores semiquantitativos de carga, como o SIS, a SCCT 2024 de quantificação mantém a definição tradicional, que exige também uma área de pelo menos 1 mm² e que o tecido seja identificado em pelo menos dois planos independentes.

Como escrever no laudo

DA proximal e média: placa parcialmente calcificada difusa, com estenose máxima leve (25–49%) na DA média.

Não confundir: A placa é tecido da parede; a estenose é a redução do diâmetro da luz em relação a um segmento normal de referência, e não em relação à parede externa no local da placa. Uma placa com remodelamento positivo pode não estreitar a luz, e um estreitamento sem placa, como o de uma artéria anômala com trajeto interarterial, é graduado da mesma forma e leva E.

Relacionados: Placa calcificada · Placa parcialmente calcificada · Placa não calcificada · Carga de placa (P1–P4) · Artefato de blooming (cálcio e stent) · Endurecimento do feixe · Artefato de movimento

Fonte: SCCT 2024 de quantificação, seção 4 e Tabela 2; SCCT 2026, interpretação coronariana, placa aterosclerótica, estenose e erros de interpretação, pp. 2, 4, 5–7 e 15–18; CAD-RADS 2.0, seção 3.3.6 e Tabela 4, nota b; Karlo 2012, seções de avaliação e de falsos-positivos · “presence of tissue structures ≥1 mm² within or adjacent to the coronary artery lumen”

Detalhes

Na prática. Cada segmento é percorrido em cortes axiais, MIP de corte fino e MPR oblíqua e curva. A placa suspeita é confirmada em dois planos: em cortes transversais perpendiculares à linha central, que mostram melhor seu tamanho e sua composição, e em um plano longitudinal. A janela é ajustada para separar a luz contrastada do cálcio, e a placa não calcificada do miocárdio e da gordura pericoronariana, cuja interface marca em geral o contorno externo do vaso. Se houver suspeita de artefato, revisa-se outra fase: uma placa real é vista nas duas e se separa do tecido vizinho em todo o seu contorno.

Erro a evitar. Considerar placa o que só é visto em um plano ou em uma fase. Também o erro contrário: uma placa não calcificada pode ser tomada por volume parcial nos cortes axiais ou passar despercebida se sua atenuação se parecer com a da gordura pericoronariana, e uma placa calcificada pequena pode ter a mesma atenuação que a luz. Uma mudança de calibre sem explicação obriga a revisar o segmento, e a série sem contraste ajuda a ver o cálcio.

Em outras fontes. O documento de quantificação da SCCT de 2024 adverte que a angio-TC em geral não detecta placas com menos de 500 µm de espessura. A terminologia SCCT 2023 não define a placa em si, e sim seus três tipos. (SCCT 2024 de quantificação, seção 2.3; Terminologia SCCT 2023, Tabela 4)

Artefatos e achados que imitam ou ocultam placa, e como se distinguem.
ImitadorO que faz com a placaComo se distingue
MovimentoFaixas de alta ou baixa atenuação tomadas por placa calcificada ou não calcificada; o borramento também pode ocultar uma placa realOutra fase reconstruída: o que se vê em uma única fase sugere artefato, e uma placa real se separa do tecido vizinho em todo o seu contorno
Desalinhamento entre blocosDegrau que simula uma lesão; um trecho do vaso pode faltar ou se repetir, e a placa é subestimada ou superestimadaOutra fase ou desativar a correção de bordas
Efeito de volume parcialPseudoestenose no limite entre blocos e estenose superestimada em bifurcações e segmentos tortuosos; nos cortes axiais, uma placa não calcificada pode ser tomada por volume parcialMPR ortogonal e curva ou MIP de corte fino; no limite entre blocos, outra fase ou desativar a correção de bordas
Blooming (cálcio ou stent)A placa calcificada parece maior e a estenose é superestimadaJanela mais ampla, cortes mais finos, kernel mais duro ou imagens monoenergéticas de alta energia
Endurecimento do feixeFaixa hipodensa junto ao cálcio ou ao stent que simula placa não calcificada ou hiperplasia intra-stent; também pode ocultar um componente não calcificado realOrigina-se do cálcio ou do metal, pode melhorar em outra fase e diminui com reconstrução iterativa de nível mais alto ou imagens monoenergéticas de alta energia
Opacificação insuficiente ou mistura de contrasteLuz pouco densa que simula placa não calcificada ou estenoseOutras fases, outra janela e cortes mais espessos; a placa real espessa a parede
Espessamento parietal de uma vasculitePode ser confundido com placa ateroscleróticaSugere vasculite um espessamento liso, circunferencial ou contínuo com a infiltração da gordura vizinha, que realça; não é placa: é descrito à parte e leva E

Fonte: SCCT 2026, pp. 13–18, e Tabela 4, p. 15; SCCT 2024 de quantificação, seção 2.2; Karlo 2012, seção sobre falsos-positivos; Woodworth 2024, resumo; CAD-RADS 2.0, seção 3.3.6

No CCTA Map

A placa é registrada como uma lesão do segmento. É marcada ao tocar em um vaso ou ao arrastar ao longo dele, e, na janela que se abre, escolhem-se a “Gravidade” (botões 0 a 5, de “normal” a “100%”), o “Tipo de placa” (“Calcificada”, “Parc. calcif.” ou “Não calc.”) e os “Marcadores” de alto risco. Um traço arrastado começa como “Parc. calcif.” com estenose mínima, e um grau maior que 0 sem tipo é salvo como “Parc. calcif.”. Uma lesão em “normal” conta como placa somente se tiver um tipo escolhido: então o resumo mostra “Placa: Detectada”, o segmento soma no SIS e, se nenhuma outra lesão tiver grau, a categoria passa de CAD-RADS 0 para 1. O mapa não registra em que planos ou fases a placa foi confirmada. Um estreitamento sem placa é marcado com o tipo “Não aterosclerótica”: é graduado, acrescenta E e não conta como placa no SIS nem na P. Uma placa a 0% é descrita com o seu tipo, como “placa não calcificada sem estenose significativa”.

Placa calcificada Calcified plaque#

Outros nomes: placa cálcica, placa predominantemente calcificada (usado em laudos brasileiros; na SCCT 2026, qualifica a placa parcialmente calcificada com ≥75% de componente calcificado), placa ateromatosa calcificada, calcified plaque, placa dura (sugere uma propriedade mecânica que a TC não avalia; SCCT 2024 de quantificação, seção 4.1) desaconselhado

Na SCCT 2026, que este glossário segue, uma placa é calcificada se a maior parte do seu volume tem atenuação maior que a da luz opacificada. O critério depende da luz do vaso, e não de um limiar fixo em unidades Hounsfield (UH).

Como escrever no laudo

DA proximal: placa calcificada densa determinando estenose moderada (50–69%); o artefato de blooming pode superestimar o grau da estenose.

Não confundir: Placa calcificada não equivale a segmento não avaliável: se a luz pode ser avaliada, registra-se o maior grau visível com a ressalva de blooming; o segmento é não avaliável quando o artefato impede avaliar a luz com confiança.

Relacionados: Placa aterosclerótica · Placa parcialmente calcificada · Artefato de blooming (cálcio e stent) · Escore de Agatston

Fonte: SCCT 2026, texto sobre placa aterosclerótica, p. 5 · “(largely) calcified plaque: attenuation values of most of the plaque exceed the values of the contrast-enhanced blood”

Detalhes

Na prática. Avalia-se em cortes transversais ao eixo do vaso, com janela ampla e, se disponível, com um filtro de reconstrução (kernel) mais duro para reduzir o blooming. Quando há cálcio denso, registra-se o maior grau visível, com a ressalva de que ele pode estar superestimado.

Erro a evitar. O limiar de 130 UH do escore de Agatston não serve para classificá-la como calcificada. Na angiotomografia, a referência é a atenuação da luz opacificada.

Em outras fontes. Na quantificação semiautomática da placa, a maioria dos programas considera cálcio denso o tecido com mais de 350 UH. A Terminologia SCCT 2023 define a placa calcificada por uma atenuação de toda a placa compatível com cálcio; o glossário segue o critério visual da SCCT 2026, que toma como referência a luz contrastada e exige que a maior parte da placa a supere. (SCCT 2024 de quantificação, seção 4.2; Terminologia SCCT 2023, Tabela 4)

No CCTA Map

No editor da lesão, o tipo “Calcificada” desativa “⬤ Baixa atenuação” e “◎ Anel de guardanapo” e remove essas duas características se a placa já as tinha. Se a estenose for de 50–99%, o modelo de laudo acrescenta nos achados e na impressão a ressalva de possível superestimação por blooming. O botão “N” reserva a placa do segmento sem apagá-la: o segmento é descrito como não avaliável, e a placa volta ao retirar o N. Com “Descrever a placa visível”, o laudo a menciona sem graduar a estenose. A placa reservada não conta no SIS.

Saída literal do modelo do mapa

Descendente anterior (LAD): segmento proximal: placa calcificada, estenose moderada (50-69%), grau possivelmente superestimado por blooming do cálcio; restante do vaso sem lesões. Ramos D1, D2: sem lesões.

Impressão Doença arterial coronariana obstrutiva moderada. Categoria CAD-RADS 3/P1.

Doença obstrutiva (≥50%) em LAD.

A calcificação densa pode superestimar o grau de estenose (artefato de blooming); se a conduta depender do grau, considerar CT-FFR ou teste funcional.

Escala de atenuação: a luz contrastada como referência para classificar a placa
Figura 3. A composição da placa é julgada em relação à atenuação da luz de cada exame. O limiar de 130 UH pertence ao escore de Agatston, que é calculado na fase sem contraste.

Placa parcialmente calcificada Partially calcified plaque#

Outros nomes: placa mista (Terminologia SCCT 2023, Tabela 4; SCCT 2024 de quantificação, seção 4.1; muito usado no Brasil) desaconselhado, placa parcialmente não calcificada (termo da SCCT 2014), placa ateromatosa parcialmente calcificada, partially calcified plaque

Combina um componente calcificado e outro não calcificado. A SCCT usa este nome, e não “placa mista”. Se um componente ocupa pelo menos 75%, a placa pode ser chamada de predominantemente calcificada ou predominantemente não calcificada.

Como escrever no laudo

CD média: placa parcialmente calcificada, com predomínio do componente calcificado, determinando estenose leve (25–49%).

Relacionados: Placa calcificada · Placa não calcificada · Endurecimento do feixe · Placa aterosclerótica

Fonte: SCCT 2026, texto sobre placa aterosclerótica, p. 5 · “partially calcified: with both calcified and non-calcified components (Fig 6). A partially calcified plaque can be specified as predominantly calcified with ≥ 75 % of the plaque component calcified”

Detalhes

Na prática. É revisada em cortes transversais e em reconstrução multiplanar, que ajuda a distinguir o componente não calcificado da gordura pericoronariana. O tipo de placa é registrado em cada segmento, e o predomínio é um qualificativo opcional do texto.

Erro a evitar. Uma placa pode ser tomada por calcificada se o endurecimento do feixe junto ao cálcio ocultar seu componente não calcificado. Convém revisá-la com janela ampla e em vários planos.

Em outras fontes. A SCCT 2014 a chamava de “parcialmente não calcificada” e listava à parte “predominantemente calcificada” e “predominantemente não calcificada”, sem limiar percentual. Em vários artigos aparece como “placa mista”, nome que a Terminologia SCCT 2023 inclui entre os não recomendados e que o documento de quantificação da SCCT de 2024 também desaconselha. (SCCT 2014, seção 10.6.2; Terminologia SCCT 2023, Tabela 4; SCCT 2024 de quantificação, seção 4.1)

No CCTA Map

No editor, é marcada com o botão “Parc. calcif.” e admite as quatro características de alto risco. O modelo de laudo a descreve como “placa parcialmente calcificada”.

Placa não calcificada Non-calcified plaque#

Outros nomes: placa predominantemente não calcificada (usado em laudos brasileiros; na SCCT 2026, qualifica a placa parcialmente calcificada com ≥75% de componente não calcificado), placa ateromatosa não calcificada, non-calcified plaque (NCP), placa mole desaconselhado, placa lipídica desaconselhado, placa rica em lipídios (SCCT 2026, p. 5; SCCT 2024 de quantificação, seção 4.1) desaconselhado, placa fibrosa desaconselhado, placa fibrogordurosa (sugere uma histologia que a TC não avalia; SCCT 2024 de quantificação, seção 4.1) desaconselhado

Chama-se não calcificada a placa com atenuação menor que a da luz opacificada. A SCCT recomenda este termo em lugar de “mole” ou “rica em lipídios”.

Como escrever no laudo

DA proximal: placa não calcificada, sem redução luminal visível.

Não confundir: “Sem redução luminal visível” corresponde ao grau 0% do CAD-RADS 2.0 (“No visible stenosis”). “Sem estenose significativa” não é um grau da escala: não esclarece se a luz está reduzida nem quanto.

Relacionados: Baixa atenuação · Placa aterosclerótica · CAD-RADS 0 versus CAD-RADS 1 · Opacificação luminal insuficiente ou heterogênea

Fonte: SCCT 2026, texto sobre placa aterosclerótica, p. 5 · “non-calcified plaque: attenuation values of the plaque are below the values of the contrast-enhanced blood”

Detalhes

Na prática. Além dos cortes axiais, é procurada em reconstruções multiplanares ortogonais e curvas, porque nos axiais pode passar despercebida ou ser confundida com um efeito de volume parcial. Também pode ser confundida com a gordura pericoronariana. Uma mudança de calibre sem explicação obriga a revisar o segmento.

Erro a evitar. Chamá-la de “mole” ou “lipídica” é impreciso, porque sua atenuação depende da quilovoltagem e da opacificação da luz e não prediz a histologia em um paciente individual.

Em outras fontes. Os programas de quantificação subdividem a placa não calcificada por intervalos de UH, com nomes como fibrosa, fibrogordurosa ou núcleo necrótico. Os limiares e os nomes variam entre programas, e a SCCT 2024 desaconselha chamá-la de “fibrosa”. (SCCT 2024 de quantificação, seções 4.1 e 4.2, Fig. 3)

No CCTA Map

No editor, em “Tipo de placa”, é marcada com o botão “Não calc.”, e o modelo de laudo a descreve como “placa não calcificada” no seu segmento. Uma placa marcada com 0% é descrita com o tipo, “placa não calcificada sem estenose significativa”, e, quando um segmento tem várias placas, o modelo cita todas, em ordem decrescente de grau, com “no mesmo segmento, outra placa…”.

Placa de alto risco High-risk plaque HRP#

Outros nomes: características de alto risco da placa, high-risk plaque, placa vulnerável (o CAD-RADS 2.0 a substituiu por HRP; desaconselhada pela Terminologia SCCT 2023, Tabela 4, e pela SCCT 2024 de quantificação, seção 4.1) desaconselhado, modificador V (CAD-RADS 1.0; o CAD-RADS 2.0 o substituiu por HRP) desaconselhado, placa adversa (Terminologia SCCT 2023, Tabela 4; no SCOT-HEART bastava uma característica) desaconselhado

No CAD-RADS 2.0, uma placa é de alto risco se mostra claramente pelo menos duas das quatro características (baixa atenuação, remodelamento positivo, calcificação puntiforme e sinal do anel de guardanapo). É indicada com o modificador /HRP.

Como escrever no laudo

CD média: placa não calcificada determinando estenose leve (25–49%), com duas características de alto risco: baixa atenuação e remodelamento positivo.

Não confundir: Uma característica de alto risco isolada pode ser descrita nos achados, mas não acrescenta /HRP: o modificador exige pelo menos duas características claras na mesma placa.

Relacionados: Baixa atenuação · Remodelamento positivo · Calcificação puntiforme · Sinal do anel de guardanapo

Fonte: CAD-RADS 2.0, seção 3.3.4 e Figura 15 · “If a coronary plaque clearly demonstrates two or more high-risk features by CCTA, the modifier “HRP” (high risk plaque) should be added”

Detalhes

Na prática. Cada placa é revisada em cortes transversais e contam-se as características que ela apresenta. Se reunir duas ou mais, acrescenta-se /HRP à categoria e as características são nomeadas no texto dos achados.

Erro a evitar. Não se somam características de placas diferentes para chegar a duas. O modificador exige que as características estejam na mesma placa.

Em outras fontes. O CAD-RADS 1.0 usava o modificador “V” (vulnerabilidade) com o mesmo critério de duas ou mais características; o CAD-RADS 2.0 o substituiu por “HRP”. No SCOT-HEART, a “placa adversa” foi definida por remodelamento positivo ou baixa atenuação; bastava uma delas. A Terminologia SCCT 2023 não recomenda os nomes “características de placa vulnerável” nem “características de placa adversa”, e o documento de quantificação da SCCT de 2024 desaconselha “placa vulnerável”. (CAD-RADS 1.0, seção 3.3.4; CAD-RADS 2.0, seção 3.3; Williams 2019, SCOT-HEART; Terminologia SCCT 2023, Tabela 4; SCCT 2024 de quantificação, seção 4.1)

No CCTA Map

As quatro características estão no editor de cada lesão, em “Marcadores”, com um contador “HRP n/4” que conta as dessa placa e passa a exibir ⚠ ao chegar a duas. As características são registradas por placa: o modificador /HRP aparece quando uma mesma placa reúne duas ou mais, e duas placas com uma característica cada não o ativam, mesmo que estejam no mesmo segmento. Uma placa desenhada com um único traço através de dois segmentos conta como uma só e leva as mesmas características em ambos. Se uma placa tem uma única característica, o modelo de laudo descreve essa característica como “achado isolado”.

Saída literal do modelo do mapa

Descendente anterior (LAD): segmento proximal: placa não calcificada, estenose leve (25-49%) com características de placa de alto risco (baixa atenuação e remodelamento positivo); restante do vaso sem lesões. Ramos D1, D2: sem lesões.

Coronária direita (RCA): segmento médio: placa parcialmente calcificada, estenose leve (25-49%) com calcificação puntiforme como achado isolado; restante do vaso sem lesões. Ramos AM, R-PDA, R-PLB: sem lesões.

Impressão Doença arterial coronariana leve, não obstrutiva. Categoria CAD-RADS 2/P1/HRP.

Doença não obstrutiva em LAD e RCA.

O modificador HRP exige duas características de alto risco na mesma placa

Ver o exemplo no mapa CAD-RADS 2/P1/HRP →Ver a figura completa

Figura 4. O modificador /HRP exige duas características na mesma placa. Duas placas com uma característica cada não o ativam; as características são descritas nos achados.

Baixa atenuação Low-attenuation plaque#

Outros nomes: placa de baixa atenuação, low-attenuation plaque (LAP), placa de baixa densidade (o glossário usa “atenuação”, como a SCCT) evitado neste glossário

No CAD-RADS 2.0 e na SCCT 2026, uma placa não calcificada tem baixa atenuação, uma das características de alto risco, quando sua atenuação interna é menor que 30 UH. O valor depende da quilovoltagem e da opacificação da luz.

Como escrever no laudo

Cx proximal: placa não calcificada de baixa atenuação, determinando estenose leve (25–49%).

Não confundir: Nem toda placa não calcificada tem baixa atenuação: no CAD-RADS 2.0, a característica exige que a atenuação interna do componente não calcificado seja menor que 30 UH.

Relacionados: Placa de alto risco · Placa não calcificada · Sinal do anel de guardanapo · Endurecimento do feixe

Fonte: CAD-RADS 2.0, Figura 15; SCCT 2026, p. 5 · “Low attenuation plaque, defined as non-calcified plaque with internal attenuation less than 30 HU.”

Detalhes

Na prática. Mede-se no corte transversal com uma região de interesse (ROI) pequena, posicionada na porção mais hipoatenuante da placa e longe da luz, do cálcio e da gordura pericoronariana. É preciso levar em conta a quilovoltagem da aquisição.

Erro a evitar. Medir junto a cálcio denso ou na borda com a gordura pericoronariana dá valores falsamente baixos, por endurecimento do feixe e por volume parcial.

Em outras fontes. Na quantificação volumétrica, o limite superior da categoria de menor atenuação varia de 30 a 75 UH entre programas, e a SCCT 2024 não fixa um limiar absoluto. O glossário segue o CAD-RADS 2.0. (SCCT 2024 de quantificação, seção 4.2)

No CCTA Map

É marcada com o botão “⬤ Baixa atenuação” do editor, que fica desativado quando o tipo de placa é “Calcificada”.

Remodelamento positivo Positive remodeling#

Outros nomes: remodelação positiva, remodelamento expansivo, positive remodeling (PR)

No CAD-RADS 2.0 e na SCCT 2026, há remodelamento positivo quando o diâmetro externo do vaso na placa supera em mais de 10% o de referência (índice de remodelamento maior que 1,1). É uma característica de alto risco.

Como escrever no laudo

DA proximal: placa não calcificada com remodelamento positivo, sem redução luminal visível.

Não confundir: Remodelamento positivo sem redução luminal não é CAD-RADS 0: o CAD-RADS 2.0 inclui na categoria 1 a placa com remodelamento positivo sem estenose.

Relacionados: Placa de alto risco · Diâmetro luminal de referência · CAD-RADS 0 versus CAD-RADS 1

Fonte: CAD-RADS 2.0, Figura 15; SCCT 2026, p. 5 · “Positive remodeling, defined as the ratio of outer vessel diameter at the site of plaque divided by the average outer diameter of the proximal and distal vessel greater than 1.1”

Detalhes

Na prática. Em cortes transversais, mede-se o diâmetro externo do vaso, entre as bordas externas da parede, no local da placa e em segmentos sadios proximal e distal. O índice é o diâmetro na lesão dividido pela média das duas referências.

Erro a evitar. É um erro medir a luz, em vez do contorno externo, para calcular o índice. Tampouco se gradua a estenose em relação à parede remodelada, e sim em relação a segmentos normais.

Em outras fontes. O documento de quantificação da SCCT 2024 calcula o índice com áreas do vaso, e não com diâmetros; considera-o positivo a partir de 1,10 e negativo abaixo de 0,90. O glossário usa diâmetros, como o CAD-RADS 2.0. (SCCT 2024 de quantificação, Tabela 2)

No CCTA Map

É marcado com o botão “⬈ Remodelamento +” do editor, que continua disponível mesmo quando o tipo de placa é “Calcificada”.

Calcificação puntiforme Spotty calcification#

Outros nomes: calcificações puntiformes, calcificação pontilhada, cálcio puntiforme, spotty calcification (SC), calcificação spotty (híbrido com o termo inglês spotty calcification) evitado neste glossário

Na SCCT 2026, a calcificação puntiforme é um depósito de cálcio com menos de 3 mm de diâmetro dentro de uma placa. É uma das características de alto risco.

Como escrever no laudo

CD média: placa parcialmente calcificada com calcificação puntiforme, determinando estenose leve (25–49%).

Relacionados: Placa de alto risco · Placa parcialmente calcificada · Artefato de blooming (cálcio e stent)

Fonte: SCCT 2026, texto sobre placa aterosclerótica, p. 5 · “Features of high-risk plaque (HRP) include positive remodeling (outer vessel diameter >10% larger than the reference diameter), spotty calcification (diameter <3 mm)”

Detalhes

Na prática. O maior diâmetro do depósito é medido no corte transversal e na reconstrução curva, com janela ampla para limitar o blooming. Se medir 3 mm ou mais, já não cumpre o critério.

Erro a evitar. Uma placa calcificada pequena e isolada não é uma calcificação puntiforme. A característica descreve um foco de cálcio menor que 3 mm dentro de uma placa.

Em outras fontes. Alguns autores a definem em relação ao vaso: seu comprimento é menor que 1,5 vez o diâmetro do vaso e sua largura, menor que dois terços desse diâmetro. O glossário segue o limite de 3 mm da SCCT 2026. (van Rosendael 2024, Tabela 1; Yang 2021, Métodos)

No CCTA Map

No editor, é marcada com o botão “⦿ Cálcio puntiforme”, e no modelo de laudo aparece como “calcificação puntiforme”.

Sinal do anel de guardanapo Napkin-ring sign#

Outros nomes: napkin-ring sign (NRS), sinal do anel, ring-like sign

Esta característica de alto risco é reconhecida no corte transversal de uma placa não calcificada por um centro de baixa atenuação, em aparente contato com a luz, circundado por um anel de maior atenuação.

Como escrever no laudo

DA proximal: placa não calcificada com sinal do anel de guardanapo, determinando estenose moderada (50–69%).

Relacionados: Placa de alto risco · Baixa atenuação · Placa parcialmente calcificada

Fonte: SCCT 2026, texto sobre placa aterosclerótica, p. 5 · “napkin-ring sign (central low attenuation apparently in contact with the lumen surrounded by ring-like higher-attenuation plaque tissue)”

Detalhes

Na prática. É procurado em cortes transversais perpendiculares à linha central do vaso, com uma janela que separe bem os tons de cinza da placa. O anel é tecido não calcificado, mais denso que o centro, e não cálcio.

Erro a evitar. Podem simulá-lo o anel cálcico de uma placa parcialmente calcificada e o artefato de volume parcial na interface entre a placa e a luz.

Em outras fontes. Algumas revisões especificam que o anel periférico não ultrapassa 130 UH, e certos estudos o chamam de realce em anel (ring-like enhancement). O consenso da SCCT de 2024 sobre quantificação esclarece que o sinal não requer medir a atenuação. (van Rosendael 2024, Tabela 1; Pozo 2016; SCCT 2024 de quantificação, seção 4.1)

No CCTA Map

O editor o registra com o botão “◎ Anel de guardanapo”, que fica desativado quando o tipo de placa é “Calcificada”; o modelo de laudo imprime “sinal do anel de guardanapo”.

Carga de placa (P1–P4) Plaque burden (P1–P4) P1–P4#

Outros nomes: carga aterosclerótica, carga total de placa, carga global de placa, plaque burden, modificador P (o CAD-RADS 2.0 a chama de categoria P e a separa dos modificadores) evitado neste glossário

No CAD-RADS 2.0, que este glossário segue, a carga de placa é a quantidade global de placa coronariana do paciente, independente do grau de estenose. É expressa como P1 (leve), P2 (moderada), P3 (acentuada) ou P4 (extensa), segundo o SIS, o escore de Agatston ou a avaliação visual. Na literatura brasileira, P1 também aparece como “discreta”.

Como escrever no laudo

Aterosclerose coronariana com carga de placa acentuada (P3; SIS 5) e estenose máxima leve (25–49%). CAD-RADS 2/P3.

Condição do exemplo: Todos os segmentos com diâmetro maior que 1,5 mm são avaliáveis, nenhum outro método resulta em P maior (se resultar, usa-se a avaliação mais grave) e não se aplica nenhum modificador; com um segmento não avaliável, escreve-se CAD-RADS N/P3, ou N sem P se a carga global não puder ser avaliada com confiabilidade.

Não confundir: A carga de placa (P1–P4) resume quanta placa há em toda a árvore coronariana; a categoria de estenose (0–5) decorre da estenose mais grave. Uma P3 com estenose máxima leve continua sendo CAD-RADS 2.

Relacionados: Escore de envolvimento segmentar · Escore de Agatston · Categoria CAD-RADS por paciente · CAD-RADS na dor torácica estável

Fonte: SCCT 2026, texto e Tabela 3, pp. 7 e 9; CAD-RADS 2.0, seção 3.2.1 · “CAD-RADS 2.0 introduces the P1 to P4 descriptors which are used to denote increasing categories of plaque burden (P1=mild, P2=moderate, P3=severe and P4=extensive)”

Detalhes

Na prática. A SCCT 2026 recomenda estimar a carga visualmente e combinar essa estimativa com o escore de Agatston, se adquirido, ou com o SIS. Se forem aplicados vários métodos, o CAD-RADS 2.0 indica usar a avaliação mais grave. No CAD-RADS 0 não se atribui P, e com N ela só é atribuída se a avaliação global da placa for confiável.

Erro a evitar. Se houver placa não calcificada abundante, a P não deve ser atribuída apenas com base no escore de Agatston, porque a carga fica subestimada. Nesse caso, a P é atribuída com base no SIS ou na avaliação visual.

Em outras fontes. Na quantificação de placa por TC, “carga de placa” também designa a porcentagem da área ou do volume do vaso ocupada por placa. O glossário usa o termo como o CAD-RADS 2.0, para a quantidade global de placa do paciente. (SCCT 2024 de quantificação, Tabela 2)

No CCTA Map

Ao abrir “Modificadores P · I ▾”, a seção “Carga de placa (P)” obtém a P de uma de três fontes: “Auto (mapa)”, que usa o SIS do mapa; “Cálcio (Agatston)”, com o escore digitado; ou “Escolher P”, que a define manualmente ou a deixa vazia com “—”. O modelo de laudo imprime, por exemplo, “Carga de placa: leve (P1; SIS 2).” Com N, seja por um segmento marcado, seja pela opção “não diagnóstica” do campo “Qualidade”, o mapa continua imprimindo a P dada pelo modo escolhido; se a carga global não puder ser avaliada com confiabilidade, ela é retirada com “Escolher P” e “—”. Cada modo usa uma única fonte. Com Agatston 0 e placa no mapa, a P sai do SIS com a nota “P pelo SIS (Agatston 0 não reflete placa não calcificada)” no painel da P, e o laudo diz apenas “(P pelo SIS)”; com Agatston maior que 0, a P sai do cálcio mesmo que o SIS dê uma faixa maior, uma decisão pendente do autor. Os enxertos com estenose somam no SIS, e o laudo indica isso com “enxertos incluídos”. A placa reservada pelo N não conta no SIS.

Saída literal do modelo do mapa

Carga de placa: acentuada (P3; SIS 5).

Tronco coronariano esquerdo (LM): placa calcificada, estenose mínima (1-24%).

Descendente anterior (LAD): segmento proximal: placa calcificada, estenose mínima (1-24%); segmento médio: placa parcialmente calcificada, estenose leve (25-49%); restante do vaso sem lesões. Ramos D1, D2: sem lesões.

Circunflexa (LCX): segmento proximal: placa calcificada, estenose mínima (1-24%); restante do vaso sem lesões. Ramos OM1, OM2, L-PLB: sem lesões.

Coronária direita (RCA): segmento proximal: placa calcificada, estenose mínima (1-24%); restante do vaso sem lesões. Ramos AM, R-PDA, R-PLB: sem lesões.

Impressão Doença arterial coronariana leve, não obstrutiva. Categoria CAD-RADS 2/P3.

Doença não obstrutiva em LM, LAD, LCX e RCA.

Escore de envolvimento segmentar Segment involvement score SIS#

Outros nomes: escore de segmentos envolvidos, escore de acometimento segmentar, segment involvement score

O SIS conta os segmentos coronarianos com placa, de qualquer composição e com qualquer grau de estenose: cada segmento com placa soma 1 ponto. O CAD-RADS 2.0 o calcula sobre 16 segmentos, sem enumerá-los, com máximo de 16, e a SCCT 2026 mantém esse máximo, embora seu modelo tenha 18 segmentos. É mais reprodutível que a estimativa visual da carga.

Relacionados: Carga de placa (P1–P4) · Lesão, segmento e vaso · Atribuição de uma lesão na junção de segmentos ou em uma bifurcação · Modelo de segmentos coronarianos da SCCT (18 segmentos)

Fonte: SCCT 2026, texto sobre volume de placa, p. 6 · “A score of 1 is given for each segment with plaque, with the highest possible score of 16.”

Detalhes

Na prática. A árvore coronariana é percorrida segmento por segmento e conta-se cada um que tenha placa, ainda que mínima. Se a placa estiver na junção de dois segmentos, incluindo as bifurcações, ela é atribuída ao segmento precedente. Exemplo com codominância e ramo intermédio: uma placa que começa no TCE e continua pela DA proximal soma 2 pontos; duas placas separadas na DA média somam 1; e uma placa no ramo intermédio, outra na R-PDA e outra na L-PDA somam 3. O SIS é 6, o que corresponde a P3. Se houver também placa na marginal aguda, que a Tabela 1 da SCCT 2026 não numera, o mapa a conta e o SIS é 7, também P3. Quem não a contar obtém um ponto a menos e, no limite entre duas faixas, por exemplo de 5 para 4 segmentos, esse ponto muda a P.

Erro a evitar. É um erro contar placas, e não segmentos. Uma placa longa na DA proximal e média soma 2 pontos, e três placas em um segmento somam 1.

Em outras fontes. Alguns estudos chamam de “extensa” a doença com placa em mais de 4 segmentos. O glossário segue o CAD-RADS 2.0, em que 5 a 7 segmentos correspondem a P3 (acentuada) e somente 8 ou mais a P4 (extensa). (Bittencourt 2014; SCCT 2026, Tabela 3)

Como o mapa conta o SIS. Cada segmento presente no mapa que tem placa soma 1 ponto, tenha uma ou várias placas e qualquer que seja o grau; um segmento marcado com “N” não soma. A última coluna distingue o que a diretriz define do que é convenção do mapa.
Segmento do mapaNúmero na SCCT 2026Quando soma 1 ponto no mapaOrigem da regra
Tronco coronariano esquerdo (LM)5Se tiver placa. Com uma anatomia sem tronco, escolhida em “Origem das coronárias”, sai do mapa e não somaSCCT 2026
Descendente anterior (LAD) proximal, média e distal6, 7 e 8Se tiver placaSCCT 2026
Diagonal (D1) e diagonal (D2)9 e 10Se tiver placaSCCT 2026
Ramo intermédio (RI)17Se tiver placa e o ramo estiver presente. Com “Ramo intermédio ausente”, ou sem tronco, sua placa é mantida, mas não somaSCCT 2026
Circunflexa (LCX) proximal e distal11 e 13 (a Tabela 1 chama o 13 de distal)Se tiver placaSCCT 2026
Marginal obtusa (OM1) e marginal obtusa (OM2)12 e 14Se tiver placaSCCT 2026
Coronária direita (RCA) proximal, média e distal1, 2 e 3Se tiver placaSCCT 2026
Marginal aguda (AM)Sem númeroSe tiver placa, com qualquer dominânciaConvenção do mapa: a SCCT 2026 a descreve no texto, mas não a numera nem diz se soma
Descendente posterior direita (R-PDA) e posterolateral direita (R-PLB)4 e 16Se tiver placa e a dominância for “Direita” ou “Codominante”A R-PDA segue a definição de dominância da SCCT 2026; que a posterolateral direita só exista com essas dominâncias é convenção do mapa
Descendente posterior esquerda (L-PDA) e posterolateral esquerda (L-PLB)15 e 18Se tiver placa; a L-PDA só com a dominância “Esquerda” ou “Codominante”A L-PDA segue a definição de dominância da SCCT 2026; a posterolateral esquerda está no mapa com as três dominâncias, como na Tabela 1
TotalMáximo 16Soma os segmentos com placa e limita o total a 16. Com ramo intermédio, o mapa tem 17 segmentos na dominância direita ou esquerda e 19 na codominância. O limite não muda a P: a partir de 8 segmentos já é P4O máximo é da SCCT 2026 e do CAD-RADS 2.0; aplicá-lo como limite sobre 17 ou 19 segmentos é convenção do mapa

Fonte: SCCT 2026, Tabela 1, p. 7, e texto, pp. 4–5 e 6; CAD-RADS 2.0, seção 3.2.1. A terceira coluna descreve o mapa, verificado em 2026-10-09.

No CCTA Map

Em “Modificadores P · I ▾”, seção “Carga de placa (P)”, o modo “Auto (mapa)” conta os segmentos presentes no mapa que têm placa e converte o total em P1–P4; o painel o mostra, por exemplo, como “SIS 3 segmentos → P2”, e o modelo de laudo imprime “Carga de placa: moderada (P2; SIS 3).” Várias placas em um segmento somam 1, e uma placa desenhada com um único traço através de dois segmentos soma em ambos. A tabela em “Detalhes” indica quais segmentos contam e quais dessas regras são convenção do mapa. Um segmento com stent sem reestenose e sem outra placa não soma; nem a SCCT 2026 nem o CAD-RADS 2.0 dizem se deveria somar. Cada enxerto com estenose também soma, e o laudo indica isso com “enxertos incluídos”. A placa reservada pelo N não soma.

Saída literal do modelo do mapa

Carga de placa: moderada (P2; SIS 3).

Descendente anterior (LAD): segmento proximal: placa não calcificada, estenose leve (25-49%); segmento médio: placa não calcificada, estenose leve (25-49%); restante do vaso sem lesões. Ramos D1, D2: sem lesões.

Coronária direita (RCA): segmento médio: placa calcificada, estenose mínima (1-24%); restante do vaso sem lesões. Ramos AM, R-PDA, R-PLB: sem lesões.

Impressão Doença arterial coronariana leve, não obstrutiva. Categoria CAD-RADS 2/P2.

Doença não obstrutiva em LAD e RCA.

Árvore coronariana com a numeração de segmentos da SCCTAoTP 1ª septal 5 6 7 8 9 10 17 11 12 13 14 1 2 3 MA 4 16
SIS 0Sem placa
Figura 5. Contador de SIS. Toque em cada segmento que tenha placa, de qualquer composição e grau; o contador soma um ponto por segmento e mostra a faixa de carga de placa correspondente. Toque de novo em um segmento para retirá-lo.

Escore de Agatston Agatston score CAC#

Outros nomes: escore de cálcio coronariano desaconselhado, escore de cálcio desaconselhado, calcium score (CACS) (a Terminologia SCCT 2023, Tabela 4, prefere “Agatston score”; o CAD-RADS 2.0 e a SCCT 2026 ainda escrevem “calcium score”) desaconselhado, escala de Agatston evitado neste glossário, CAC-DRS (sistema de laudo da SCCT de 2018, com categorias A0–A3 e o número de artérias com cálcio)

Em cada lesão coronariana, a área de cálcio que supera o limiar de 130 UH é multiplicada por um fator de 1 a 4 segundo sua atenuação máxima. O escore é a soma desses produtos.

Como escrever no laudo

Escore de Agatston igual a 0 na aquisição sem contraste.

Não confundir: Um escore de Agatston igual a 0 indica que não se detectou cálcio coronariano, e não que não haja aterosclerose: o CAD-RADS 0 exige que a angiotomografia não mostre placa, calcificada ou não, nem estenose.

Relacionados: Carga de placa (P1–P4) · Placa calcificada · CAD-RADS 0 versus CAD-RADS 1

Fonte: Neves PO, et al. Radiol Bras 2017 (revisão), seção “Agatston method” · “The Agatston method uses the weighted sum of lesions with a density above 130 HU, multiplying the area of calcium by a factor related to maximum plaque attenuation”

Detalhes

Na prática. É calculado na aquisição sem contraste sincronizada ao ECG, antes da fase angiográfica, com o protocolo padrão de 120 kVp e cortes de 3 mm. Se realizado, o total é informado no laudo e pode servir para atribuir a carga de placa.

Erro a evitar. O escore de Agatston mede apenas a placa calcificada. O CAD-RADS 2.0 pede que ele seja combinado ao menos com uma avaliação qualitativa de toda a placa: a P se mantém se não houver placa não calcificada e pode subir se houver; com escore 0 e placa visível, a P é atribuída com base no SIS ou na avaliação visual.

Em outras fontes. O CAC-DRS da SCCT (2018) agrupa o escore em A0 (0), A1 (1–99), A2 (100–299) e A3 (300 ou mais) e acrescenta o número de artérias com cálcio (por exemplo, A2/N3). Seus pontos de corte diferem ligeiramente dos de P1–P4. A Terminologia SCCT 2023 recomenda o nome “Agatston score”, e não “calcium score” nem “CAC score”, e define separadamente o volume e a massa de cálcio. (CAC-DRS, Hecht 2018; Obisesan 2021; SCCT 2026, Tabela 3; Terminologia SCCT 2023, Tabela 4)

No CCTA Map

No modo “Cálcio (Agatston)”, digita-se o valor e o mapa o converte em P1–P4; o painel mostra, por exemplo, “Agatston 260 → P2”, e o modelo de laudo imprime “Carga de placa: moderada (P2; Agatston 260).” O campo aceita ponto ou vírgula. Se o separador for seguido de exatamente três algarismos, é lido como separador de milhar: “1,250” ou “1.250” é 1250 (P4). Se não, é lido como decimal e usa-se o inteiro arredondado: “87.3” ou “87,3” é 87 (P1). Se não houver nenhuma placa desenhada no mapa, um valor maior que 0 dá CAD-RADS 1 com essa P, como “CAD-RADS 1/P2” com Agatston 120, e os vasos sem achados são redigidos como “sem estenose”, não “sem lesões ateroscleróticas”. Essa redação por vaso é a do modelo de normalidade, que o mapa usa por padrão. Com Agatston 0 e placa no mapa, a P sai do SIS, com a nota “P pelo SIS (Agatston 0 não reflete placa não calcificada)” no painel da P; o laudo diz apenas “(P pelo SIS)”. Com um valor maior que 0, esse modo usa só a pontuação mesmo que o SIS do mapa dê uma faixa maior: o CAD-RADS 2.0 aponta nos dois sentidos, e é uma decisão pendente do autor, sem aviso no mapa.

Escore de Agatston: área de cada lesão multiplicada por um fator definido pela sua atenuação máxima
Figura 6. O escore de Agatston multiplica a área de cada lesão por um fator que depende de sua atenuação máxima e soma todas as lesões de todos os cortes.

Autoavaliação

Perguntas curtas para verificar o essencial. A resposta aparece ao escolher uma opção.

1Uma placa contínua percorre a CD proximal, média e distal. Há ainda uma placa na DA proximal e outra na Cx proximal, e nenhuma outra placa. Qual é o SIS e que carga de placa ele indica?

2Na DA proximal há uma placa com remodelamento positivo e nenhuma outra característica. Na DA média, separada da anterior, outra placa não calcificada tem atenuação interna de 20 UH e nenhuma outra característica. Como isso se reflete na categoria CAD-RADS?

3O escore de Agatston é 0. Na angiotomografia há placa não calcificada na DA proximal, na DA média, na Cx proximal e na CD proximal, sem estenose de 50% ou mais, e nenhuma outra placa. Que carga de placa se atribui?

4Na DA proximal, o diâmetro externo do vaso na placa mede 4,0 mm e o da luz, 2,6 mm. Os diâmetros externos de referência medem 3,9 mm no segmento sadio proximal e 3,1 mm no distal. Qual é o índice de remodelamento?

5No corte transversal de uma placa da CD proximal, vê-se um centro amplo de baixa atenuação em contato com a luz, circundado por um anel fino e contínuo de cálcio denso. Como se descreve?

6Na fase sem contraste, o único depósito de cálcio coronariano está na DA proximal e aparece em um só corte: mede 5 mm² e sua atenuação máxima é de 320 UH. A angiotomografia não mostra outra placa. Qual é o escore de Agatston e que carga de placa ele indica?

Próximo passoMonte o laudo completo do seu caso no mapa →Marque as lesões na árvore coronariana e obtenha a categoria sugerida e um modelo de laudo editável.

Referências

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  2. Cury RC, Leipsic J, Abbara S, Achenbach S, Berman D, Bittencourt M, et al. CAD-RADS 2.0 - 2022 Coronary Artery Disease-Reporting and Data System: an expert consensus document of the SCCT, ACC, ACR and NASCI. J Cardiovasc Comput Tomogr. 2022;16(6):536-57. doi:10.1016/j.jcct.2022.07.002
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  4. Narula J, Chandrashekhar Y, Ahmadi A, Abbara S, Berman DS, Blankstein R, et al. SCCT 2021 expert consensus document on coronary computed tomographic angiography: a report of the Society of Cardiovascular Computed Tomography. J Cardiovasc Comput Tomogr. 2021;15(3):192-217. doi:10.1016/j.jcct.2020.11.001
  5. Neves PO, Andrade J, Monção H. Coronary artery calcium score: current status. Radiol Bras. 2017;50(3):182-9.
  6. Tamburino C, Tomasello SD, Capodanno D, Di Salvo ME, Marzà F, Galassi AR. Long-term follow-up after drug eluting stent implantation in left main trifurcations. EuroIntervention. 2009;5(4):432-7. doi:10.4244/eijv5i4a68
  7. Kovacevic M, Burzotta F, Elharty S, Besis G, Aurigemma C, Romagnoli E, et al. Left main trifurcation and its percutaneous treatment: what is known so far? Circ Cardiovasc Interv. 2021;14(3):e009872. doi:10.1161/CIRCINTERVENTIONS.120.009872
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Fontes das notas “Em outras fontes”

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Este glossário traduz para o português e adapta definições, tabelas e figuras do consenso SCCT 2026: Rajiah PS, et al. Interpretation and reporting of coronary computed tomographic angiography (2026 update): an expert consensus document of the Society of Cardiovascular Computed Tomography (SCCT). J Cardiovasc Comput Tomogr. 2026. doi:10.1016/j.jcct.2026.08.014, publicado sob a licença CC BY 4.0. Alterações: reformulação em linguagem simples e reorganização das tabelas; os diagramas são esquemas dinâmicos do mapa e não reproduzem exatamente as figuras da diretriz. A SCCT não revisou nem endossou este glossário. CC BY 4.0