Achados coronarianos não ateroscleróticos e modificador E
Dr. David F. Cuevas Cueto · Atualizado em 27 de setembro de 2026 · Fontes: SCCT 2026 e CAD-RADS 2.0
Esta seção reúne os achados coronarianos não ateroscleróticos mais frequentes na angiotomografia de coronárias, como a ponte miocárdica, a origem e o trajeto anômalos e o aneurisma ou a ectasia. O CAD-RADS 2.0 sinaliza os achados não ateroscleróticos de sua lista com o modificador E, que se acrescenta à categoria de estenose sem substituí-la.
O essencial
A ponte miocárdica é descrita por sua localização, profundidade e extensão; é profunda a partir de 2 mm de miocárdio e longa a partir de 25 mm.
Com uma única fase adquirida, a compressão sistólica da ponte não é bem avaliada, e essa limitação deve ser levada em conta no laudo.
O CAD-RADS 2.0 e a SCCT 2026 não citam a ponte miocárdica na lista do modificador E, que não é fechada; acrescentar E por uma ponte é, portanto, uma interpretação.
Uma artéria anômala é descrita por sua origem, trajeto, calibre luminal e terminação, e o trajeto interarterial é o de alto risco, sobretudo com segmento intramural.
O aneurisma supera 1,5 vez o diâmetro de referência em menos da metade do vaso; se a dilatação ocupar mais da metade, chama-se ectasia.
O modificador E vai no final do código, depois de N, HRP, I, S e G, e, se não houver placa em nenhum segmento, o código não leva P.
A placa da DA proximal, antes da ponte, define a categoria 3. A ponte superficial, com 20% de compressão sistólica, não altera a categoria, e o mapa não acrescenta E porque a compressão não chega a 50%.
Tabela 1. Trajetos de uma artéria coronária anômala. A SCCT 2026 descreve quatro; o retrocardíaco provém de publicações sobre coronária única.
Trajeto
Percurso
Risco segundo as fontes
No mapa
Interarterial
Entre a raiz da aorta e o tronco pulmonar
Alto, sobretudo com segmento intramural
“Interarterial”
Transeptal (subpulmonar)
Abaixo da valva pulmonar, no interior do septo
Menor que o do interarterial
“Intrasseptal”
Pré-pulmonar
À frente do tronco pulmonar
Em geral benigno
“Pré-pulmonar”
Retroaórtico
Por trás da raiz da aorta
Em geral benigno
“Retroaórtico”
Retrocardíaco
Por trás do coração
Em geral benigno
Não disponível
Fonte: SCCT 2026, p. 12 (trajetos, alto risco do interarterial e menor compressão do transeptal); Cheezum 2017, J Am Coll Cardiol, resumo (a maioria dos subtipos é benigna, e a morte súbita se associa ao trajeto interarterial); Sheng 2021 (trajeto retrocardíaco, em geral benigno).
Outros nomes:ponte intramiocárdica(sinônimo frequente; a SCCT usa “ponte miocárdica”), trajeto intramiocárdico(designa o trecho tunelizado; é usado como sinônimo), ponte muscular, artéria coronária tunelizada, myocardial bridge (MB), artéria coronária intramural(assim a classificação de Angelini chama a ponte; o glossário reserva “intramural” para o trecho da artéria anômala no interior da parede aórtica)evitado neste glossário
Um segmento de uma artéria epicárdica percorre um túnel no interior do miocárdio, e a faixa muscular que o recobre é a ponte.
Como escrever no laudo
Ponte miocárdica na DA média. A compressão sistólica não é avaliável, pois só se dispõe da fase diastólica.
Não confundir: o trajeto intramiocárdico da ponte, no interior do miocárdio, com o segmento intramural de uma artéria anômala, no interior da parede da aorta junto à sua origem.
Fonte: SCCT 2026, texto, anomalias coronarianas não ateroscleróticas (seção j), p. 12 · “Myocardial bridging is characterized by encasement of coronary arteries by myocardial fibers, with a tunneled intramyocardial segment and a myocardial bridge that overlies the artery.”
Detalhes
Na prática. Identifica-se na reconstrução curva da DA e confirma-se nos cortes transversais, em que o segmento tunelizado fica envolto por miocárdio. Nos achados, nomeiam-se o vaso e o segmento e descrevem-se a profundidade, a extensão e, se foram adquiridas sístole e diástole, a compressão sistólica.
Erro a evitar. Examinar apenas o túnel e deixar de lado o segmento proximal a ele. Na revisão de Rovera 2023, a placa aparece sobretudo logo antes da ponte e é pouco frequente dentro do túnel.
Em outras fontes. A SCCT 2014 incluía a ponte miocárdica entre as variantes anatômicas potencialmente relevantes, junto com a ausência do tronco coronariano esquerdo. Pela alta prevalência, alguns autores a consideram uma variante, e não uma anomalia verdadeira, embora a maioria das classificações a inclua entre as anomalias de trajeto. A artéria mais acometida é a DA, sobretudo em seu segmento médio. (SCCT 2014, seção 10.6.2, p. 352; Genoud 2026, seções 4.2 e 4.2.1 e Tabela 2; Rovera 2023, introdução)
No CCTA Map
Só a DA média admite ponte, pela seção “Ponte miocárdica” do seu editor, com “Adicionar ponte”. No mapa, o túnel aparece afundado, com o rótulo “PONTE · profunda” ou “PONTE · superficial”. A ponte começa como “Profunda” e com a “Compressão sistólica” vazia: o laudo diz “compressão sistólica não avaliada”, sem E, até que o controle deslizante defina uma medida, e “Não avaliada” volta a esvaziá-la. O app acrescenta E a partir de 50% de compressão. A ponte em si não muda a categoria, e a placa marcada através do túnel é colocada dos lados dele. Um estreitamento atribuído à ponte é marcado com o tipo “Não aterosclerótica” e a causa “Ponte miocárdica”: é desenhado no túnel, graduado e acrescenta E. Com o segmento marcado N, o laudo informa que a compressão não é avaliável.
Saída literal do modelo do mapa
Descendente anterior (LAD): segmento proximal: placa não calcificada, estenose moderada (50-69%); restante do vaso sem lesões. Ponte miocárdica no segmento médio, com trajeto intramiocárdico (superficial) e compressão sistólica de ~20%. Ramos D1, D2: sem lesões.
Ponte miocárdica no terço médio da DA sem compressão sistólica significativa (<50%): achado não aterosclerótico que não altera a categoria CAD-RADS nem acrescenta o modificador E.
Doença obstrutiva (≥50%) em LAD.
Profundidade, extensão e compressão da ponte miocárdica Myocardial bridge depth, length and systolic compression#
Outros nomes:classificação da ponte miocárdica, efeito milking, efeito de ordenha(sinal de compressão sistólica na cinecoronariografia), ponte profunda / superficial, myocardial bridge depth, classificação de Noble(três graus angiográficos de compressão sistólica)
A SCCT 2026 classifica a ponte pelo recobrimento, pela profundidade, pela extensão e pela compressão sistólica. O recobrimento é parcial, com 75–99% da artéria envolta por miocárdio, ou total. A ponte é superficial com 1 a menos de 2 mm de miocárdio sobre a artéria, profunda com 2 a menos de 5 mm e muito profunda a partir de 5 mm, e é curta abaixo de 25 mm e longa a partir de 25 mm. Na sístole, a luz pode não se reduzir, reduzir-se menos de 50% ou reduzir-se 50% ou mais.
Como escrever no laudo
Ponte miocárdica na DA média, profunda (3 mm de miocárdio sobre a artéria) e longa (30 mm), com compressão sistólica menor que 50% na comparação entre sístole e diástole.
Fonte: SCCT 2026, texto, anomalias coronarianas não ateroscleróticas (seção j), p. 12 · “superficial (1-2 mm), deep (≥ 2 mm), very deep (≥ 5 mm) and short (<25 mm) or long (≥ 25 mm)”
Detalhes
Na prática. A espessura do miocárdio sobre a artéria é medida no corte transversal, e a extensão do túnel, na reconstrução curva. A compressão sistólica é avaliada comparando sístole e diástole. Segundo a SCCT 2026, a espessura da ponte e as estenoses sistólica e diastólica podem predizer os sintomas de forma independente, e a estenose diastólica é a de maior desempenho diagnóstico e valor preditivo de eventos adversos.
Erro a evitar. Informar um percentual de compressão sistólica quando só foi adquirida a fase diastólica. A SCCT 2026 adverte que, com uma única fase, a avaliação anatômica é limitada.
Em outras fontes. Na cinecoronariografia, a classificação de Noble gradua em três níveis a compressão sistólica da DA. O grau 1 é menor que 50%, o grau 2 vai de 50 a 75% e o grau 3 supera 75%. Na angiotomografia, a SCCT 2026 divide a compressão sistólica em ausente, menor que 50% ou ≥50%. (Noble 1976, citado por Xu 2022, métodos; SCCT 2026, p. 12)
No CCTA Map
“Profunda” e “Superficial” não têm limiar em milímetros e não há opção para muito profunda; por isso, a medida e a classe da SCCT 2026 são digitadas manualmente. A “Extensão do túnel” é a fração desenhada do segmento, de 10 a 55%, e não milímetros, e não é impressa. O valor do controle deslizante “Compressão sistólica” (de 0 a 90%) é desenhado no mapa como estreitamento do túnel e impresso nos achados, e, a partir de 50% (o mesmo corte da SCCT 2026), o mapa acrescenta E. Com “Profunda” ou a partir de 50%, a impressão acrescenta a frase de maior risco hemodinâmico. A compressão começa vazia, e o laudo diz “compressão sistólica não avaliada” até que o controle deslizante defina uma medida; “Não avaliada” a esvazia de novo. Com o segmento marcado N, o laudo informa que a compressão não é avaliável. A classe da SCCT 2026 (sem estreitamento, menor que 50% ou de 50% ou mais) pode ser escrita com “✎ Editar rascunho”.
Saída literal do modelo do mapa
Descendente anterior (LAD): sem lesões ateroscleróticas. Ponte miocárdica no segmento médio, com trajeto intramiocárdico (profundo) e compressão sistólica de ~55%. Ramos D1, D2: sem lesões.
Impressão Sem evidência de doença arterial coronariana. Categoria CAD-RADS 0/E.
Ponte miocárdica no terço médio da DA (modificador E, achado não aterosclerótico por compressão extrínseca): a compressão é dinâmica (sistólica), portanto não altera a categoria CAD-RADS 0-5. O trajeto profundo e/ou a compressão sistólica acentuada são fatores anatômicos de maior risco hemodinâmico; correlacionar com o quadro clínico e, diante de angina sem outra causa aparente, considerar avaliação funcional (CT-FFR ou teste de estresse).
Figura 1. A ponte é medida pela espessura do miocárdio que recobre a artéria e pela extensão do túnel. A compressão aparece na comparação entre sístole e diástole e, com uma única fase, sua avaliação é limitada.
Origem anômala de uma artéria coronária Anomalous origin of a coronary arteryAAOCA · ALCAPA · ARCAPA#
Outros nomes:anomalia de origem coronariana, origem aórtica anômala das artérias coronárias(AAOCA; não inclui a origem na artéria pulmonar), origem anômala no seio oposto (ACAOS)(sigla da SCCT 2021 para a origem no seio oposto), ACAPA(sigla da ESC 2020 para a origem na artéria pulmonar), síndrome de Bland-White-Garland(epônimo do ALCAPA), anomalous coronary artery origin
Há origem anômala quando uma artéria coronária nasce fora de seu local habitual. Pode nascer do seio de Valsalva oposto ou do seio não coronariano, em posição alta, baixa ou comissural, ou da artéria pulmonar.
Como escrever no laudo
Origem anômala da CD no seio coronariano esquerdo, com trajeto interarterial. Sem evidência de aterosclerose coronariana.
Condição do exemplo: Sem estreitamento do segmento proximal; se houver, acrescentam-se seu grau e a categoria com E (com estenose moderada e sem placa, CAD-RADS 3/E).
Não confundir: “sem evidência de aterosclerose coronariana” com “coronárias normais”: a origem anômala é um achado coronariano, e o CAD-RADS 2.0 a sinaliza com E.
Fonte: SCCT 2026, texto, anomalias coronarianas não ateroscleróticas (seção j); ramo do cone na anatomia coronariana, p. 5 · “Anomalous origin could be from the opposite or non-coronary sinus of Valsalva or from pulmonary arteries.”
Detalhes
Na prática. Cada artéria é seguida desde seu óstio em cortes axiais e em reconstruções oblíquas da raiz da aorta. A SCCT 2026 recomenda descrever a origem, a morfologia, o trajeto, o calibre luminal e a terminação, além da relação com as estruturas vizinhas.
Erro a evitar. Considerar anômalo um ramo do cone que nasce diretamente do seio coronariano direito. A SCCT 2026 descreve essa origem como uma das duas habituais do ramo do cone.
Em outras fontes. A SCCT 2021 chama de ACAOS a origem no seio de Valsalva oposto. A diretriz da ESC 2020 usa AAOCA para a origem aórtica anômala e ACAPA para a origem na artéria pulmonar, com suas formas ALCAPA e ARCAPA. Em 2026, o International Coronary Artery Anomalies Collaborative (ICAAC), um grupo internacional de especialistas em anomalias coronarianas, propôs pelo método Delphi uma nomenclatura do AAOCA. Ela é puramente descritiva e não atribui risco. Seu código básico reúne o vaso, o seio de origem e o trajeto proximal, como em R-AAOCA/LS-IA. Outros descritores detalham o óstio, o trajeto proximal e a origem alta. Como trata apenas da origem aórtica, não inclui a origem na artéria pulmonar. (SCCT 2021, seção 4.10, p. 209; ESC 2020, seção 4.17.1; Mery 2026, resumo; Tigges 2026, Radiopaedia, caso rID 235236)
Código ICAAC. Lê-se da esquerda para a direita: vaso anômalo, a sigla fixa AAOCA, seio de origem e trajeto proximal. Por exemplo, LCX-AAOCA/RS-RA é uma circunflexa que nasce do seio direito e passa por trás da aorta. R-AAOCA/LS-IA,IM é uma coronária direita que nasce do seio esquerdo com trajeto interarterial e segmento intramural. Os demais descritores da nomenclatura, como os do óstio ou da origem alta, não aparecem no código que o mapa escreve.
Parte
Código
Significado
No mapa
Vaso
R
Coronária direita
“CD”
Vaso
L
Tronco coronariano esquerdo
“TCE”
Vaso
LAD
Descendente anterior
“DA”
Vaso
LCX
Circunflexa
“Cx”
Vaso
ST
Tronco único que dá origem à coronária direita e ao tronco coronariano esquerdo
Não é escrito; a aba “Coronária única” usa os tipos de Lipton
Sigla fixa
AAOCA
Origem aórtica anômala de uma artéria coronária (anomalous aortic origin of a coronary artery)
Em todos os códigos
Seio
RS
Seio aórtico direito
“Seio D”
Seio
LS
Seio aórtico esquerdo
“Seio E”
Seio
NS
Seio aórtico que não está voltado para a valva pulmonar (nonfacing sinus)
Não disponível
Trajeto
IA
Interarterial, entre a aorta e a artéria pulmonar, sem segmento intramural
“Interarterial” sem “Trajeto intramural”
Trajeto
IA,IM
Interarterial com segmento intramural
“Interarterial” com “Trajeto intramural”
Trajeto
IM
Intramural, no interior da parede da aorta, sem trajeto interarterial
Não disponível
Trajeto
IS
Intrasseptal, abaixo do plano da valva pulmonar e no interior do septo interventricular
“Intrasseptal”
Trajeto
PP
Pré-pulmonar, à frente da artéria pulmonar
“Pré-pulmonar”
Trajeto
RA
Retroaórtico, por trás da aorta
“Retroaórtico”
Fonte: Mery 2026, JACC Cardiovasc Imaging, resumo (alcance e propósito da nomenclatura); Tigges 2026, Radiopaedia, caso rID 235236 (significado de cada parte do código). A coluna “No mapa” descreve o painel “Origem das coronárias” atual.
No CCTA Map
No menu “Anatomia ▾”, “Origem das coronárias” abre um painel com três abas: “Um vaso”, “Tronco (TCE)” e “Coronária única”. Em “Um vaso”, escolhem-se o vaso afetado (“CD”, “TCE”, “DA” ou “Cx”) e sua origem: “Seio D”, “Seio E”, “Da CD” (só para a DA ou a Cx) ou “TP”. Não há opção para o seio não coronariano. As origens não oferecidas para o vaso escolhido ficam desativadas e mostram o motivo. O modelo de laudo descreve a origem, o trajeto e o destino do vaso e acrescenta E. Com origem em “Seio D” ou “Seio E”, a primeira frase de “Origem e trajeto” termina com o código ICAAC entre parênteses, e essa frase é igual no painel e no laudo. Por exemplo, “(ICAAC: LCX-AAOCA/RS-RA)” corresponde a uma Cx que nasce do seio direito e passa por trás da aorta. A tabela em “Detalhes” explica cada parte do código. Com “Da CD” ou “TP” não há código, e a aba “Coronária única” usa os tipos de Lipton. O estreitamento causado pela anomalia é marcado no segmento com o tipo “Não aterosclerótica” e a causa “Trajeto anômalo”: é graduado, acrescenta E e não leva P, e o laudo o descreve como um estreitamento sem placa. Sem placa na árvore, uma anomalia interarterial com estenose moderada dá CAD-RADS 3/E.
Saída literal do modelo do mapa
Origem e trajeto: circunflexa (LCX) com origem anômala no seio coronariano direito, com óstio próprio, independente do óstio da coronária direita; passa por trás da raiz da aorta (trajeto retroaórtico) até o sulco atrioventricular esquerdo, onde segue seu trajeto habitual (ICAAC: LCX-AAOCA/RS-RA). O tronco coronariano esquerdo origina-se do seio coronariano esquerdo e continua como descendente anterior. Nenhum vaso transita entre a aorta e o tronco pulmonar. Dominância: direita.
Impressão Sem evidência de doença arterial coronariana. Categoria CAD-RADS 0/E.
Origem coronariana anômala com trajeto benigno; não passa entre os grandes vasos.
Trajeto da artéria anômala Course of an anomalous coronary artery#
Outros nomes:trajeto da coronária anômala, trajeto intrasseptal, trajeto intraconal(outro nome do trajeto transeptal ou subpulmonar), trajeto pré-cardíaco(outro nome do trajeto pré-pulmonar), anomalous coronary course, trajeto interarterial, trajeto retroaórtico, trajeto pré-pulmonar(trajetos reconhecidos pela SCCT 2026), trajeto transeptal, trajeto subpulmonar(um único trajeto da SCCT 2026, com dois nomes)
O trajeto indica por onde a artéria anômala cruza a base do coração. A SCCT 2026 reconhece quatro trajetos: interarterial, retroaórtico, transeptal ou subpulmonar e pré-pulmonar.
Como escrever no laudo
Origem anômala da DA no seio coronariano direito, com trajeto transeptal (subpulmonar).
Não confundir: o trajeto transeptal (subpulmonar), que corre no interior do septo, abaixo da valva pulmonar, com o interarterial, que passa entre a raiz da aorta e o tronco pulmonar.
Fonte: SCCT 2026, texto, anomalias coronarianas não ateroscleróticas (seção j), p. 12 · “Anomalous courses could be interarterial, retroaortic, transseptal (subpulmonic) or prepulmonic”
Detalhes
Na prática. O segmento proximal é seguido em cortes axiais e oblíquos até o seu sulco. O trajeto interarterial é considerado de alto risco, e na sístole a artéria fica comprimida entre a aorta e a artéria pulmonar distendidas. O transeptal sofre menos compressão, entre a aorta distendida e a via de saída do ventrículo direito contraída.
Erro a evitar. Nomear o trajeto interarterial e não graduar o estreitamento do segmento proximal quando ele existe. A SCCT 2026 pede a descrição do calibre luminal, e o CAD-RADS 2.0 atribui a categoria pelo grau desse estreitamento e acrescenta E: com estenose moderada, CAD-RADS 3/E.
Em outras fontes. Algumas revisões descrevem cinco trajetos, pois acrescentam o retrocardíaco, que passa por trás do coração. Outros nomes encontrados na literatura são intrasseptal para o transeptal e pré-cardíaco para o pré-pulmonar. O glossário segue os quatro trajetos da SCCT 2026. (Genoud 2026, seção 4.1.3; Evangelista 2024; Karatoprak 2026, métodos)
No CCTA Map
Em “Um vaso”, escolhe-se “Interarterial”, “Intrasseptal”, “Pré-pulmonar” ou “Retroaórtico”, e o mapa deixa um deles pré-selecionado conforme o vaso e a origem. Os trajetos não oferecidos para essa combinação ficam desativados, com o motivo. “Intrasseptal” é o trajeto transeptal ou subpulmonar da SCCT 2026 e só existe para o TCE ou a DA a partir do seio direito. O interarterial é descrito como variante de alto risco; o intrasseptal, como trajeto que sofre menos compressão que o interarterial e cuja relevância é avaliada com os sintomas e o teste de isquemia; e o pré-pulmonar e o retroaórtico, como trajeto benigno. Com o interarterial ou o intrasseptal, assim como com uma origem no “TP”, a impressão acrescenta um “Manejo individualizado (fora do escopo do CAD-RADS)” que pede o teste de isquemia. Se em “Modificadores P · I ▾” já houver um resultado de CT-FFR ou CTP no território do vaso anômalo (na DA ou na Cx, se o anômalo for o TCE), essa frase e a do intrasseptal remetem ao resultado em vez de pedir o teste. Na categoria 0, o laudo não menciona a CT-FFR nem a CTP, exceto um defeito “Fixo”, de modo que só esse resultado conta; outro resultado é escrito com “✎ Editar rascunho”. Com origem no “TP”, não há trajeto a escolher.
Saída literal do modelo do mapa
Origem e trajeto: coronária direita (RCA) com origem anômala no seio coronariano esquerdo, com óstio próprio, independente do óstio da coronária esquerda; transita entre a aorta e o tronco pulmonar (trajeto interarterial) até o sulco atrioventricular direito, onde segue seu trajeto habitual (ICAAC: R-AAOCA/LS-IA). Dominância: direita.
Impressão Sem evidência de doença arterial coronariana. Categoria CAD-RADS 0/E.
Origem coronariana anômala com trajeto interarterial: variante de alto risco (potencialmente maligna) associada a isquemia miocárdica e morte súbita cardíaca. Avaliar características de alto risco: segmento intramural, óstio em fenda, ângulo de origem agudo e estreitamento proximal.
Manejo individualizado (fora do escopo do CAD-RADS): teste de isquemia e encaminhamento à cardiologia/cirurgia conforme sintomas e anatomia.
Outros nomes:trajeto intramural(rótulo do botão no mapa), curso intramural, intramural course
O segmento intramural é a porção proximal da artéria anômala que corre no interior da parede da aorta antes de se separar dela. Aumenta o risco do trajeto interarterial.
Como escrever no laudo
Origem anômala da CD no seio coronariano esquerdo, com trajeto interarterial. O ângulo de origem agudo, o orifício em fenda no corte transversal e a ausência de gordura pericoronariana do lado da aorta sugerem segmento intramural.
Condição do exemplo: Se o segmento intramural estreitar a luz, acrescentam-se o grau desse estreitamento e a categoria com E (com estenose moderada e sem placa, CAD-RADS 3/E).
Não confundir: o segmento intramural de uma artéria anômala, no interior da parede da aorta junto à sua origem, com o trajeto intramiocárdico da ponte, no interior do miocárdio.
Fonte: SCCT 2026, texto, anomalias coronarianas não ateroscleróticas (seção j), p. 12 · “An intramural segment is not directly visualized, but can be inferred by an acute takeoff angle, segmental narrowing with a slit-like orifice at cross-section”
Detalhes
Na prática. A TC não o mostra diretamente. Ele é inferido por um ângulo de origem agudo, por um estreitamento segmentar com orifício em fenda no corte transversal e pelo envolvimento incompleto da artéria pela gordura pericoronariana do lado da luz aórtica. Se for reconhecido, mede-se sua extensão.
Erro a evitar. Avaliar a forma da luz proximal no plano axial, que corta o vaso obliquamente. O orifício em fenda é visto no corte transversal.
Em outras fontes. Na classificação de Angelini, “artéria coronária intramural” é outro nome da ponte miocárdica. Neste glossário, como na SCCT 2026, o segmento ou trajeto intramural é o trecho da artéria anômala que corre no interior da parede aórtica, e o trecho tunelizado da ponte é chamado de intramiocárdico. A SCCT 2026 usa ainda “hematoma intramural” na dissecção coronariana, em que o hematoma está na parede da própria coronária. (Ganga 2021, Tabela 1; Evangelista 2024; Genoud 2026, Figura 5; SCCT 2026, pp. 12–13)
No CCTA Map
Em “Achados de alto risco”, marca-se “Trajeto intramural” e digita-se a extensão em “Extensão intramural (mm)”. Só pode ser marcado com o trajeto “Interarterial” de uma origem aórtica. Por isso, o mapa não oferece o segmento intramural sem trajeto interarterial, que a nomenclatura ICAAC escreve IM, sem IA. O modelo de laudo o descreve em “Origem e trajeto” como “segmento intramural, de ~6 mm” e o inclui entre os achados de alto risco da impressão. O mapa desenha o trecho dentro da parede aórtica. No código ICAAC do laudo, o trajeto passa de IA para IA,IM, isto é, interarterial com segmento intramural. O mapa não escreve a extensão no código. Se o segmento estreita a luz, o estreitamento é marcado com o tipo “Não aterosclerótica” e a causa “Segmento intramural”: é graduado, conta na categoria e acrescenta E sem P.
Saída literal do modelo do mapa
Origem e trajeto: coronária direita (RCA) com origem anômala no seio coronariano esquerdo, com óstio próprio, independente do óstio da coronária esquerda; seu segmento proximal transita no interior da parede aórtica (segmento intramural, de ~6 mm) e depois entre a aorta e o tronco pulmonar (trajeto interarterial) até o sulco atrioventricular direito, onde segue seu trajeto habitual (ICAAC: R-AAOCA/LS-IA,IM). Dominância: direita.
Impressão Sem evidência de doença arterial coronariana. Categoria CAD-RADS 0/E.
Origem coronariana anômala com trajeto interarterial: variante de alto risco (potencialmente maligna) associada a isquemia miocárdica e morte súbita cardíaca.
Achados anatômicos de alto risco identificados: segmento intramural (~6 mm).
Manejo individualizado (fora do escopo do CAD-RADS): teste de isquemia e encaminhamento à cardiologia/cirurgia conforme sintomas e anatomia.
Anatomia de alto risco da artéria anômala High-risk anatomy of an anomalous coronary artery#
Outros nomes:anomalia coronariana maligna(denominação clínica; costuma aludir ao trajeto interarterial), características de alto risco, achados de alto risco(título do painel no mapa), high-risk anatomy, orifício em fenda, óstio em fenda, ângulo de origem agudo, origem em ângulo agudo(achados de alto risco; também sugerem um segmento intramural), origem alta(óstio na junção sinotubular ou acima dela)
São considerados de alto risco o trajeto interarterial, o segmento intramural, o orifício em fenda, o ângulo de origem agudo, o estreitamento proximal e a origem alta, porque se associam a isquemia.
Como escrever no laudo
Origem anômala do TCE no seio coronariano direito, com trajeto interarterial, orifício em fenda e ângulo de origem agudo.
Condição do exemplo: Se houver estreitamento proximal, acrescentam-se seu grau e a categoria CAD-RADS com E, sem P se não houver placa em nenhum segmento.
Fonte: SCCT 2026, texto, anomalias coronarianas não ateroscleróticas (seção j), p. 12 · “An interarterial course between the aortic root and pulmonary artery is considered a high-risk anatomy, particularly when combined with an intramural course.”
Detalhes
Na prática. Definido o trajeto, revisam-se o óstio e o segmento proximal em cortes transversais. Informam-se a forma do orifício, o ângulo de origem, a extensão do estreitamento e a altura do óstio em relação à junção sinotubular.
Erro a evitar. Dar o mesmo peso a uma CD originada do seio esquerdo e a uma coronária esquerda originada do seio direito. A ESC 2020 considera a segunda mais maligna.
Em outras fontes. A diretriz da ESC 2020 considera de alto risco o óstio situado mais de 1 cm acima da junção sinotubular. Outros autores chamam de origem alta qualquer óstio acima dessa junção, e a SCCT 2026 não fixa uma distância. (ESC 2020, seção 4.17.2 e nota c; Karatoprak 2026, métodos)
No CCTA Map
Com origem em “Seio D” ou “Seio E”, “Achados de alto risco” oferece “Óstio em fenda / origem em ângulo agudo”, “Trajeto intramural” (só com o trajeto “Interarterial”) e “Origem ostial alta”. Com origem no “TP” ou “Da CD”, essa linha não aparece. O modelo de laudo lista na impressão os achados marcados, e nenhum deles altera a categoria. Se o trajeto for interarterial e não houver achados marcados, a impressão lembra de avaliá-los. Desses achados, só “Trajeto intramural” muda o código ICAAC do laudo, de IA para IA,IM. O óstio em fenda e a origem alta são listados na impressão, mas o mapa não os acrescenta ao código, embora a nomenclatura ICAAC tenha descritores próprios para o óstio e para a origem alta. O estreitamento proximal é marcado no segmento com o tipo “Não aterosclerótica” e a causa “Trajeto anômalo” ou “Segmento intramural”: é graduado, conta na categoria e acrescenta E sem P.
Saída literal do modelo do mapa
Origem e trajeto: tronco coronariano esquerdo (LM) com origem anômala no seio coronariano direito, com óstio próprio, independente do óstio da coronária direita; seu segmento proximal transita no interior da parede aórtica (segmento intramural, de ~10 mm) e depois entre a aorta e o tronco pulmonar (trajeto interarterial); bifurca-se em descendente anterior e circunflexa na posição habitual (ICAAC: L-AAOCA/RS-IA,IM). Não se identifica óstio coronariano no seio esquerdo. Dominância: direita.
Impressão Sem evidência de doença arterial coronariana. Categoria CAD-RADS 0/E.
Origem coronariana anômala com trajeto interarterial: variante de alto risco (potencialmente maligna) associada a isquemia miocárdica e morte súbita cardíaca.
Achados anatômicos de alto risco identificados: óstio em fenda com ângulo de origem agudo, segmento intramural (~10 mm) e origem ostial alta (acima da junção sinotubular).
Manejo individualizado (fora do escopo do CAD-RADS): teste de isquemia e encaminhamento à cardiologia/cirurgia conforme sintomas e anatomia.
Coronária única Single coronary arterySCA · Lipton: R ou L · I, II ou III · A, B ou P#
Outros nomes:artéria coronária única, coronária única isolada(sem outra cardiopatia congênita; é o nome do artigo de Lipton de 1979)
Na coronária única, toda a árvore coronariana nasce de um único óstio aórtico e não existe um segundo óstio coronariano. A classificação de Lipton a descreve pelo seio de origem (R ou L) e pela distribuição da artéria (tipos I, II e III). Quando um ramo cruza a base do coração, acrescenta seu trajeto em relação à aorta e ao tronco pulmonar (A, B ou P).
Como escrever no laudo
Coronária única com origem no seio coronariano direito (tipo R-IIB de Lipton): o TCE nasce da CD proximal e transita entre a aorta e o tronco pulmonar; não se identifica óstio coronariano no seio esquerdo.
Condição do exemplo: Sem estreitamento do ramo interarterial. Se houver, acrescentam-se seu grau e a categoria com E, sem P se não houver placa em nenhum segmento (com estenose moderada, CAD-RADS 3/E).
Não confundir: a coronária única tipo II, em que a coronária contralateral nasce da porção proximal da artéria única, com a origem anômala de um vaso no seio oposto, que tem óstio próprio.
Fonte: Lipton 1979, segundo Al Umairi 2019 (Métodos e Discussão) e Elbadawi 2018 (Tabela 1); CAD-RADS 2.0, seção 3.3.6
Detalhes
Na prática. Em cortes axiais e oblíquos da raiz da aorta, revisam-se os dois seios até confirmar que um deles não tem óstio, e cada ramo é seguido desde o óstio único. Anotam-se o seio, o tipo e, se um ramo cruzar a base do coração, seu trajeto; em um ramo interarterial, procuram-se também o segmento intramural, o orifício em fenda e o estreitamento proximal. Para nomear os ramos, a SCCT 2026 define cada artéria pelo sulco que percorre: a DA, o interventricular anterior; a Cx, o atrioventricular esquerdo; e a CD, o direito (p. 4). O CAD-RADS 2.0 inclui as artérias coronárias anômalas entre as causas do modificador E e esclarece que sua lista não é completa. O estreitamento do ramo interarterial é graduado e leva E, como no seu exemplo de anomalia interarterial com estenose moderada (CAD-RADS 3/E).
Erro a evitar. Considerar benigna uma coronária única sem descrever o trajeto dos ramos que cruzam a base do coração. Elbadawi 2018 descreve curso benigno nos tipos R-I e L-I, e Al Umairi 2019 associa o ramo que passa entre a aorta e o tronco pulmonar a isquemia miocárdica e morte súbita.
Em outras fontes. No cateterismo, a frequência descrita vai de 0,024% a 0,066%. Na angiotomografia, Al Umairi 2019 encontrou 0,27% em 4.445 pacientes, mais que as séries anteriores que cita (0,024% a 0,098%), e Katekaru-Tokeshi 2021, 0,51% em um centro cardiovascular de referência, em que 87,5% dos casos tinham outra cardiopatia congênita. Nas cardiopatias complexas com as grandes artérias em posição anormal, Katekaru-Tokeshi 2021 considera a convenção de Leiden mais aplicável que a classificação de Lipton, que também não inclui a origem no seio não coronariano. (Al Umairi 2019, Introdução, Resultados e Discussão; Katekaru-Tokeshi 2021, resumo, Introdução e Resultados)
Classificação de Lipton da coronária única e o que a aba “Coronária única” do mapa oferece.
Tipo
O que descreve
Variantes
No mapa
I
Uma única artéria percorre o sulco de uma coronária normal e continua até o território da contralateral
R-I: a CD continua pelo sulco atrioventricular esquerdo como Cx e termina como DA. L-I: a Cx continua além da cruz como CD
R-I e L-I; cada uma fixa sua dominância
II
Da porção proximal da artéria única nasce um ramo que cruza a base do coração e depois segue seu trajeto habitual
R-II: o TCE nasce da CD. L-II: a CD nasce do TCE
R-II e L-II, com trajeto A, B ou P
III
A DA e a Cx nascem separadamente da CD proximal
Só R-III; Lipton não descreve um tipo III esquerdo
R-III com a Cx retroaórtica e a DA pré-pulmonar ou interarterial
Trajeto
A: à frente do tronco pulmonar. B: entre a aorta e o tronco pulmonar. P: por trás da aorta
Yamanaka e Hobbs acrescentaram S (transeptal) e C (combinado)
A, B e P; sem S nem C
Fonte: Lipton 1979 e Yamanaka e Hobbs 1990, segundo Al Umairi 2019 (Discussão) e Elbadawi 2018 (Tabela 1), porque os originais não puderam ser consultados; aba “Coronária única” verificada no mapa em 2026-10-09.
No CCTA Map
No menu “Anatomia ▾”, “Origem das coronárias” tem a aba “Coronária única”, com três linhas: “Seio do óstio único” (R ou L), “Tipo” (I, II ou III) e o trajeto do ramo que cruza (A “pré-pulmonar”, B “interarterial” ou P “retroaórtico”). Não há tipo III esquerdo; a R-III é oferecida com a Cx retroaórtica e a DA pré-pulmonar ou interarterial, e os trajetos S e C não têm opção. Cada combinação redesenha o mapa, e o que estiver marcado nos segmentos redesenhados é apagado após confirmação e pode ser recuperado com “Desfazer”. O modelo de laudo descreve a anatomia em “Origem e trajeto”, sem código ICAAC, e acrescenta E em todos os tipos. A R-I fixa a dominância direita, e a L-I, a esquerda. Com trajeto interarterial (R-IIB, L-IIB e R-III com DA interarterial), a impressão acrescenta os itens de variante de alto risco e de manejo individualizado; os “Achados de alto risco” de “Um vaso” não estão disponíveis. Nos tipos L, uma estenose de 50% ou mais do TCE dá 4B. Nos tipos R, o tronco é a CD proximal e é graduado como CD; se a estenose de 50% ou mais for marcada antes da saída dos ramos, a impressão acrescenta que ela compromete também os territórios desses ramos e que o CAD-RADS não define como contá-los. Na R-II e na R-III, uma lesão marcada no segmento inteiro é tomada como posterior a essa saída. Sem tronco, restam apenas a R-I e a R-III, e com uma origem anômala definida nenhuma pode ser escolhida.
Aneurisma e ectasia coronariana Coronary artery aneurysm and ectasia#
Outros nomes:ectasia coronariana, doença aneurismática coronariana, coronary artery aneurysm (CAA), coronary ectasia (CAE), aneurisma sacular, aneurisma fusiforme(formas do aneurisma conforme o diâmetro que predomina), pseudoaneurisma coronariano, falso aneurisma coronariano(não é um aneurisma verdadeiro: não tem as três camadas da parede arterial)
Um aneurisma coronariano é um segmento com diâmetro maior que 1,5 vez o do segmento normal adjacente, que ocupa menos de 50% da extensão do vaso. Se ocupar mais, é ectasia.
Como escrever no laudo
Aneurisma fusiforme na CD proximal, com diâmetro máximo de 7 mm, em comparação com 4 mm no segmento normal adjacente.
Condição do exemplo: A dilatação ocupa menos de 50% da extensão do vaso; se ocupar mais, é ectasia.
Não confundir: o aneurisma com o pseudoaneurisma, uma evaginação focal sem as três camadas da parede arterial, causada por intervenção coronária, cirurgia, infecção, trauma ou gravidez.
Fonte: SCCT 2026, texto, anomalias coronarianas não ateroscleróticas (seção j), p. 12 · “Coronary artery aneurysm is defined as a coronary artery segment with a diameter > 1.5 times the diameter of normal adjacent coronary artery segments or the largest coronary artery”
Detalhes
Na prática. O diâmetro máximo é medido no corte transversal e comparado com o do segmento normal adjacente ou com o da maior artéria coronária. No aneurisma sacular predomina o diâmetro transversal e, no fusiforme, o longitudinal.
Erro a evitar. Chamar de aneurisma uma dilatação que ocupa mais da metade do vaso. Essa dilatação difusa é ectasia, que a SCCT 2026 atribui sobretudo à aterosclerose.
No CCTA Map
O mapa não tem controle para aneurisma nem ectasia e não acrescenta E por um aneurisma, embora ele conste na Tabela 3 do CAD-RADS 2.0. O achado é digitado manualmente no rascunho e, se for um aneurisma, também o E.
Outros nomes:arterite coronariana, coronarite, CAV(abreviatura de “coronary artery vasculitis” em Woodworth 2024; na SCCT 2026, CAV é a vasculopatia do aloenxerto cardíaco)evitado neste glossário
A vasculite coronariana é a inflamação da parede das artérias coronárias. Na angio-TC, aparece como um espessamento liso da parede, circunferencial ou contínuo, que realça com o contraste e pode se acompanhar de aumento da densidade da gordura adjacente, com ou sem estenose focal ou multifocal. É um achado não aterosclerótico, e o CAD-RADS 2.0 o sinaliza com o modificador E.
Como escrever no laudo
Espessamento parietal liso e circunferencial da CD proximal, com aumento da densidade da gordura pericoronariana e estenose moderada (50–69%), sugestivo de vasculite coronariana. CAD-RADS 3/E.
Condição do exemplo: Nenhuma outra lesão leva a uma categoria maior, não há placa em nenhum segmento e não cabe outro modificador. Se houver placa, a P da carga de placa vem antes do E (por exemplo, CAD-RADS 3/P1/E).
Não confundir: a vasculite com o englobamento coronariano (encasement), um espessamento irregular ou nodular, com aspecto de massa, excêntrico em relação à luz e com acentuado aumento da densidade da gordura epicárdica, como na doença relacionada à IgG4, nos distúrbios histiocíticos, na amiloidose, na sarcoidose ou nas neoplasias.
Fonte: SCCT 2026, texto, anomalias coronarianas não ateroscleróticas (seção j), pp. 12 e 13; CAD-RADS 2.0, seção 3.3.6 · “smooth wall thickening that is circumferential and/or continuous with adjacent fat tissue stranding, showing contrast enhancement, with or without associated focal/multifocal luminal stenosis”
Detalhes
Na prática. Descrevem-se os vasos e segmentos acometidos, se há vários espessamentos separados entre si (lesões salteadas), o grau de cada estenose e os aneurismas. A inflamação pode se estender da aorta até o óstio e o segmento proximal das coronárias; por isso, também se revisa a parede aórtica. Na fase aguda, pode-se ver o sinal do duplo anel: por dentro, a íntima edemaciada e hipoatenuante; por fora, a média e a adventícia inflamadas, com realce intenso. O CAD-RADS 2.0 não dá um exemplo de vasculite. Seguindo seu exemplo de anomalia com estenose moderada (3/E), o estreitamento é graduado e o E vai no final do código.
Erro a evitar. Ler o espessamento liso e circunferencial como uma placa não calcificada concêntrica. Woodworth 2024 inclui a aterosclerose entre os imitadores da vasculite e propõe considerar vasculite diante de um espessamento liso, circunferencial ou contínuo, sobretudo em uma síndrome coronariana aguda sem fatores de risco cardiovascular clássicos.
Em outras fontes. A SCCT 2026 cita como causas a arterite de Takayasu e a de células gigantes, a doença de Kawasaki, as vasculites associadas a ANCA, a doença de Behçet e a infecção pelo HIV. Segundo Gori 2021, na arterite de Takayasu predomina a estenose ou oclusão ostial; na doença de Kawasaki, os aneurismas sobre as estenoses; e na arterite de células gigantes, que raramente acomete as coronárias, os estreitamentos lisos, afilados e difusos. Gori inclui a doença relacionada à IgG4, com periarterite ou aneurismas, que a SCCT 2026 coloca no englobamento coronariano, e não na vasculite. (SCCT 2026, p. 13; Gori 2021, Biomedicines, Tabela 1 e seção 5)
No CCTA Map
O mapa não tem causa nem controle para a vasculite nem para o espessamento da parede. Um estreitamento pode ser marcado com o tipo “Não aterosclerótica”, sem causa: é graduado, conta na categoria e acrescenta E, não conta como placa no SIS nem na P, e o laudo o descreve como estreitamento não aterosclerótico sem placa, sem mencionar a vasculite. Sem estreitamento marcado, o app não acrescenta E. O espessamento e o diagnóstico são escritos com “✎ Editar rascunho”.
Outros nomes:fístula coronária, fístula arteriovenosa coronariana(nome na classificação anatômica de Gentile citada por Genoud 2026), fístula arterial coronariana, fístula coronário-cavitária(quando drena em uma cavidade cardíaca), fístula coronário-pulmonar(quando drena na artéria pulmonar)
Uma fístula coronariana comunica uma artéria coronária com uma cavidade cardíaca, o seio coronário ou um grande vaso sem passar pelo leito capilar do miocárdio. Segundo a SCCT 2026, pode drenar nos ventrículos, nos átrios, no seio coronário, na veia cava superior, na artéria pulmonar, nas veias pulmonares ou em vários desses locais.
Como escrever no laudo
Fístula entre a DA proximal e o tronco pulmonar, formada por um vaso tortuoso sem aneurisma que drena na face lateral esquerda do tronco, com jato de contraste para a sua luz.
Não confundir: a fístula coronário-pulmonar, em que uma coronária originada da aorta se comunica com a artéria pulmonar, com a origem anômala na artéria pulmonar (ALCAPA ou ARCAPA), em que a coronária nasce da própria artéria pulmonar.
Fonte: SCCT 2026, texto, anomalias coronarianas não ateroscleróticas (seção j), p. 12, e Tabela 6, p. 20; CAD-RADS 2.0, seção 3.3.6 e texto sobre os modificadores após a Tabela 11 (E com CAD-RADS 0–5); Qureshi 2006, seções de morfologia e fisiopatologia · “A coronary artery fistula connects the coronary artery to ventricles, atria, coronary sinus, superior vena cava, pulmonary artery, pulmonary vein or multiple sites, bypassing the myocardial capillary bed.”
Detalhes
Na prática. Descrevem-se o vaso e o segmento de origem da artéria nutridora, seu trajeto, o local de drenagem e o número de artérias nutridoras e de drenagens, porque, como assinala Qureshi 2006, pode haver várias artérias nutridoras ou vários locais de drenagem. Também se informam o calibre e a tortuosidade do vaso, o aneurisma do trajeto com seu diâmetro máximo e as complicações visíveis na TC, como trombo no interior da fístula ou dilatação de cavidades por sobrecarga de volume. A SCCT 2026 recomenda fortemente informar as anomalias por sua origem, trajeto e terminação, e também a dilatação ou o aneurisma (Tabela 6). No CAD-RADS 2.0, a fístula é uma das exceções do modificador E. A categoria continua dependendo da estenose, e a P, da placa; o E vai no final do código e, sem placa nem estenose em nenhum segmento, o código é CAD-RADS 0/E.
Erro a evitar. Informar uma coronária dilatada e tortuosa como ectasia sem segui-la até a terminação, onde pode estar a fístula que a explica. A SCCT 2026 descreve assim as coronárias de uma fístula e inclui a fístula entre as causas de ectasia compensatória.
Em outras fontes. Na classificação anatômica de Gentile, citada por Genoud 2026, a fístula é uma anomalia de terminação, congênita ou adquirida. Genoud 2026 a chama de pequena se seu calibre for menor que o da maior coronária não acometida, média se medir de 1 a 2 vezes o diâmetro da coronária de referência e grande se medir mais de 2 vezes esse diâmetro. Chama-se gigante, em geral, a que mede mais de 8 mm. As complicações descritas são o roubo coronariano com isquemia, a trombose, a dilatação aneurismática, a insuficiência cardíaca, as arritmias, a endocardite e a ruptura. Na série de angiotomografia de Liu 2014, 60 dos 66 pacientes tinham uma fístula coronário-pulmonar, que em 54 deles drenava na face lateral esquerda do tronco. Em 46 desses 60 via-se um jato de contraste para a luz, e nos outros 14 apenas um pequeno defeito da parede arterial. (Genoud 2026, Tabela 2 e seções 4.3 e 5.3; Qureshi 2006, seção de quadro clínico; Liu 2014, resultados)
No CCTA Map
O mapa não representa fístulas e não acrescenta E por elas. O achado e o E são escritos com “✎ Editar rascunho” depois de marcar o restante da árvore, porque o rascunho editado não se atualiza mais com o mapa. Não use a origem “TP” de “Origem das coronárias” para uma fístula que drena no tronco pulmonar: o modelo de laudo a descreve como origem anômala a partir da artéria pulmonar, tipo ALCAPA/ARCAPA.
Dissecção coronariana espontânea e hematoma intramural Spontaneous coronary artery dissection and intramural hematomaSCAD#
Outros nomes:dissecção espontânea da artéria coronária, hematoma intramural coronariano, IMH(sigla em inglês do hematoma intramural; usada pela SCCT 2026), dissecção coronariana(termo mais amplo, o da Tabela 3 do CAD-RADS 2.0; inclui também a dissecção iatrogênica, a traumática e a secundária a aterosclerose ou a dissecção aórtica, que a ESC exclui da SCAD)
A dissecção coronariana espontânea é a formação aguda de uma falsa luz no interior da parede de uma artéria coronária epicárdica, não causada por aterosclerose, trauma nem procedimento coronariano. O sangue da falsa luz forma um hematoma intramural que pode comprimir a luz verdadeira, com ou sem ruptura da íntima.
Como escrever no laudo
Espessamento parietal em meia-lua, sem cálcio, na DA média, com estreitamento liso e afilado da luz. Sugere hematoma intramural por dissecção coronariana espontânea, embora na angio-TC não possa ser distinguido com certeza de uma placa não calcificada.
Condição do exemplo: A frase não traz o grau. Acrescentam-se o grau do estreitamento e a categoria com E, sem P se não houver placa em nenhum segmento: com estenose grave, CAD-RADS 4A/E.
Não confundir: o hematoma intramural da dissecção, sangue no interior da parede da própria coronária, com o segmento intramural de uma artéria anômala, que corre no interior da parede da aorta, e com o trajeto intramiocárdico da ponte, que corre no interior do miocárdio.
Fonte: SCCT 2026, texto, anomalias coronarianas não ateroscleróticas (seção j), p. 13; CAD-RADS 2.0, seção 3.3.6 e Tabela 3; definição: Hayes 2018 (AHA), introdução, e Adlam 2018 (ESC), definição · “A normal CCTA does not exclude spontaneous coronary artery dissection”
Detalhes
Na prática. A SCCT 2026 descreve quatro formas de apresentação, resumidas na tabela. Podem acompanhá-las outros achados: densificação da gordura epicárdica, aspecto em contas de rosário, tortuosidade, ponte miocárdica, oclusão e ausência de cálcio. No miocárdio do território pode haver defeitos de perfusão e alterações segmentares da contratilidade. O vasoespasmo e a embolia coronariana podem imitá-la e, pela resolução espacial da angio-TC, um exame normal não a exclui. O CAD-RADS 2.0 diz que, em geral, suas categorias não se aplicam às causas não ateroscleróticas, como a dissecção, e para elas criou o modificador E, que vai no final do código. O estreitamento é graduado com a escala habitual e, se não houver placa em nenhum segmento, não se escreve P. Pela mesma regra do seu exemplo 3/E, uma estenose grave da DA é CAD-RADS 4A/E, e uma oclusão, 5/E.
Erro a evitar. Chamar de “placa não calcificada” um espessamento parietal liso e sem cálcio em uma pessoa jovem com síndrome coronariana aguda. A terminologia SCCT 2023 define essa placa como aterosclerótica. Segundo a SCCT 2026, o hematoma intramural pode ser difícil de distinguir dela, e confirmá-lo pode exigir coronariografia invasiva com imagem intravascular. Apoiam a dissecção, sem confirmá-la, a ausência de cálcio, a estenose abrupta ou afilada, a densificação da gordura epicárdica e, segundo a ESC, a localização em segmentos distais com as demais coronárias normais ou quase normais. O erro contrário também ocorre: na série de Tweet, um aparente hematoma era placa não calcificada na tomografia de coerência óptica.
Em outras fontes. A AHA e a ESC recomendam a coronariografia invasiva como primeiro exame diante da suspeita de SCAD. A ESC dá como exemplo uma mulher jovem ou de meia-idade com baixo risco aterosclerótico, sintomas típicos e biomarcadores positivos. Segundo a ESC, a sensibilidade e a especificidade da angio-TC para a SCAD são desconhecidas, e há falsos-negativos descritos. Segundo a AHA, a angio-TC costuma avaliar mal a dissecção dos segmentos distais, dos ramos e dos vasos com menos de 2,5 mm. As duas lhe atribuem um possível papel no seguimento. Na série de Tweet, apenas dois dos seis laudos de angio-TC feitos antes do cateterismo mencionaram a dissecção como diagnóstico diferencial. (Hayes 2018 (declaração científica da AHA), seção de angio-TC coronariana; Adlam 2018 (documento de posição da ESC), seções de angio-TC coronariana, de achados angiográficos associados e de seguimento; Tweet 2019, resultados e discussão (Figura 7); Terminologia SCCT 2023, Tabela 4)
Formas de apresentação da dissecção coronariana na angio-TC, com sua frequência em uma série de 14 pacientes estudados nos dois dias anteriores ou posteriores à coronariografia invasiva.
Sinal
Como se vê na angio-TC
Pacientes com o sinal
Estenose abrupta
O diâmetro da luz muda mais de 50% em 0,5 mm ou menos
64%
Hematoma intramural
Espessamento bem delimitado da parede, em meia-lua
50%
Estenose afilada
O diâmetro da luz se reduz mais de 50% ao longo de cerca de 5 mm
36%
Flap intimal
Estrutura linear hipodensa no interior da luz
14%
Fonte: SCCT 2026, p. 13 (sinais e definições); Tweet 2019, resumo e resultados (frequências por paciente; 14 pacientes e 16 vasos).
No CCTA Map
A dissecção é marcada no segmento com o tipo “Não aterosclerótica” e a causa “Dissecção”: é graduada na escala de estenose, acrescenta E e não leva P. Por exemplo, uma dissecção da DA média com estenose de 70–99% dá CAD-RADS 4A/E, e o laudo a descreve como estreitamento não aterosclerótico sem placa, com a causa entre parênteses. O hematoma intramural não tem controle próprio e é descrito com “✎ Editar rascunho”; a partir daí, o rascunho deixa de se atualizar com o mapa.
Modificador E (exceções) Modifier E (exceptions)E#
Outros nomes:exceções do CAD-RADS, modificador de exceções, E modifier
O modificador E sinaliza um achado coronariano não aterosclerótico. É escrito no final do código CAD-RADS, depois de N, HRP, I, S e G, e acompanha a categoria sem substituí-la.
Como escrever no laudo
Origem anômala da CD no seio coronariano esquerdo, com trajeto interarterial e estenose moderada (50–69%) do segmento proximal. Sem evidência de aterosclerose coronariana. CAD-RADS 3/E.
Fonte: CAD-RADS 2.0, seção 3.3.6 (Modifier E = exceptions) e Tabela 3 · “a modifier “E” is used to account for any non-atherosclerotic narrowing of the coronary arteries and should be added at the end of the score as a modifier”
Detalhes
Na prática. A Tabela 3 do CAD-RADS 2.0 não é uma lista fechada. Inclui dissecção, origem anômala, aneurisma ou pseudoaneurisma, vasculite, fístula, compressão extrínseca, malformação arteriovenosa e outras causas. O estreitamento não aterosclerótico é graduado, e uma anomalia interarterial com estenose moderada é CAD-RADS 3/E.
Erro a evitar. Acrescentar P ao código de uma anomalia quando não há placa em nenhum segmento. O CAD-RADS 2.0 omite o P em seu exemplo de anomalia interarterial sem placa.
Em outras fontes. O CAD-RADS 1.0 tinha apenas os modificadores N, S, G e V, de modo que um achado não aterosclerótico não tinha código próprio. No CAD-RADS 2.0 surgiram os modificadores I e E, e o modificador V, de placa vulnerável, passou a se chamar HRP, de placa de alto risco. (CAD-RADS 1.0, Tabela 1, p. 271; CAD-RADS 2.0, seções 3.3 e 3.3.6)
No CCTA Map
O mapa acrescenta E com origem anômala de um vaso, coronária única ou ponte miocárdica com compressão sistólica ≥50%. A ausência do tronco coronariano esquerdo, na aba “Tronco (TCE)”, não o acrescenta, e nas demais exceções o E é digitado manualmente. Um estreitamento marcado com o tipo “Não aterosclerótica” (trajeto anômalo, segmento intramural, ponte miocárdica, dissecção ou sem causa) também o acrescenta: é graduado e não leva P, de modo que uma anomalia interarterial com estenose moderada sem placa dá CAD-RADS 3/E. Num segmento desviado por um enxerto pérvio, esse estreitamento não acrescenta E.
Saída literal do modelo do mapa
Origem e trajeto: circunflexa (LCX) com origem anômala no seio coronariano direito, com óstio próprio, independente do óstio da coronária direita; passa por trás da raiz da aorta (trajeto retroaórtico) até o sulco atrioventricular esquerdo, onde segue seu trajeto habitual (ICAAC: LCX-AAOCA/RS-RA). O tronco coronariano esquerdo origina-se do seio coronariano esquerdo e continua como descendente anterior. Nenhum vaso transita entre a aorta e o tronco pulmonar. Dominância: direita.
Descendente anterior (LAD): segmento proximal: placa não calcificada, estenose leve (25-49%) com características de placa de alto risco (baixa atenuação e remodelamento positivo); restante do vaso sem lesões. Ramos D1, D2: sem lesões.
Impressão Doença arterial coronariana leve, não obstrutiva. Categoria CAD-RADS 2/P1/HRP/E.
Origem coronariana anômala com trajeto benigno; não passa entre os grandes vasos.
Doença não obstrutiva em LAD.
Autoavaliação
Perguntas curtas para verificar o essencial. A resposta aparece ao escolher uma opção.
1A CD nasce do seio coronariano esquerdo com trajeto interarterial. Em seu segmento proximal, a compressão entre a aorta e o tronco pulmonar produz uma estenose moderada. Não há placa em nenhum segmento. Como se codifica?
O CAD-RADS 2.0 dá como exemplo uma anomalia interarterial com estenose moderada e a codifica como 3/E. Como não há placa em nenhum segmento, o código não leva P. Ver o termo
2Na DA média, um segmento de 30 mm corre dentro do miocárdio, recoberto por uma camada muscular de 3 mm no corte transversal. Como se classifica a ponte segundo a SCCT 2026?
A ponte é profunda a partir de 2 mm de miocárdio e muito profunda a partir de 5 mm; assim, com 3 mm, a ponte é profunda. Mede 30 mm, e a partir de 25 mm classifica-se como longa. Ver o termo
3A DA nasce do seio coronariano direito. Seu segmento proximal passa abaixo da valva pulmonar, no interior do septo interventricular, e reaparece no sulco interventricular anterior. Como se descreve o trajeto?
O trajeto transeptal ou subpulmonar corre no interior do septo, abaixo da valva pulmonar. A SCCT 2026 observa que ele sofre menos compressão que o interarterial, que passa entre a aorta e o tronco pulmonar. Ver o termo
4Uma CD anômala nasce do seio esquerdo com trajeto interarterial. No corte transversal de sua porção proximal, a luz é uma fenda ovalada, a origem forma um ângulo agudo e falta gordura pericoronariana do lado da aorta. O que esses sinais sugerem?
A SCCT 2026 explica que o segmento intramural não é visto diretamente. Ele é inferido pelo ângulo de origem agudo, pelo orifício em fenda e pelo envolvimento incompleto da artéria pela gordura pericoronariana do lado da luz aórtica. Ver o termo
5A CD mede 7 mm ao longo de 80% de sua extensão. Seu segmento distal, de calibre normal, mede 4 mm. Como se classifica a dilatação?
O diâmetro é 1,75 vez o de referência, maior que 1,5. Como a dilatação ocupa mais de 50% do vaso, a SCCT 2026 a chama de ectasia, e não de aneurisma. Ver o termo
Rajiah PS, Alkadhi H, Andreini D, Bullock-Palmer RP, Chinnaiyan K, Chow B, et al. Interpretation and reporting of coronary computed tomographic angiography (2026 update): an expert consensus document of the Society of Cardiovascular Computed Tomography (SCCT). J Cardiovasc Comput Tomogr. 2026. doi:10.1016/j.jcct.2026.08.014 Versão final (version of record) publicada on-line em setembro de 2026 sob a licença CC BY 4.0, ainda não atribuída a um número da revista; as páginas citadas são as do PDF dessa versão publicada.
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Este glossário traduz para o português e adapta definições, tabelas e figuras do consenso SCCT 2026: Rajiah PS, et al. Interpretation and reporting of coronary computed tomographic angiography (2026 update): an expert consensus document of the Society of Cardiovascular Computed Tomography (SCCT). J Cardiovasc Comput Tomogr. 2026. doi:10.1016/j.jcct.2026.08.014, publicado sob a licença CC BY 4.0. Alterações: reformulação em linguagem simples e reorganização das tabelas; os diagramas são esquemas dinâmicos do mapa e não reproduzem exatamente as figuras da diretriz. A SCCT não revisou nem endossou este glossário. CC BY 4.0